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Se os indecisos se abstiverem só mais um bocadinho, conseguem esta coisa extraordinária: ultrapassar a Coligação PPD-PSD/CDS-PP, e assim a Abstenção passa a ser a segunda força viva do nosso país!
Eh pá, vá lá! Indecidam-se!

Após o país entrar em choque, Sua Seneridade oferecerá aos livres abstencionistas um cocktail Absolut Shock-Tech, com sumo de laranjas – dissolvidas pelo próprio, nos jardins do Palácio de Belém!
A bem do regime..

Seguir-se-á um After-Hours, onde a Irmandade dos Vermelhitas – ao som de Vangelis, assistirá ao gesto simbólico de ver frei Paulo e frei Santana depositar o acordo pré-nupcial na Torre do Tombo!

E depois, quando acordarmos, avistaremos o Novo Mundo!
Ao longe!
Pim-pam-pum!
pp: os quadros foram retirados daqui!
Nada me prende a nada.
Quero cincoenta coisas ao mesmo tempo.
Anceio com uma angustia de fome de carne
O que não sei que seja –
Definidamente pelo indefinido…
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstratas e necessarias.
Correram cortinas por dentro de todas as hypotheses que eu poderia ver da rua.
Não ha na travessa achada o numero de porta que me deram.
Accordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exercitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta – até essa vida…
Comprehendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tedio que é até do tedio arroja-me á praia.
Não sei que destino ou futuro compete á minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do Sul impossivel aguardam-me naufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra cousa, nem cousa nenhuma…
E, no fundo do meu espirito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos ultimos da alma, onde memóro sem causa
(E o passado é uma nevoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longinquas
Onde supuz o meu ser,
Fogem desmantelados, ultimos restos
Da ilusão final,
Os meus exercitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cohortes por existir, esfaceladas em Deus.
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infancia pavorosamente perdida…
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui…
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fóra de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo –,
Transeunte inutil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruido dos ratos e das tabuas que rangem
No castello maldito de ter que viver…
Outra vez te revejo.
Sombra que passa atravez de sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir…
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho magico em que me revia identico,
E em cada fragmento fatidico vejo só um bocado de mim –
Um bocado de ti e de mim!…
Álvaro de Campos
Lisbon Revisited (1926)
Não se seguiu o texto publicado em Contemporânea, em Junho de 1926, por excessivamente defeituoso, mas o testemunho dactilografado que lhe parece ter servido de base.
Teresa Rita Lopes, Álvaro de Campos – Livro de Versos (Edição Crítica). Lisboa, Editorial Estampa – 3ª edição, 1997.
A Fundação Calouste Gulbenkian promoveu, em Outubro de 2003, uma conferência sobre as Relações entre a Europa e os EUA.
A intervenção, politicamente… de Durão Barroso, então Primeiro-Ministro, pode ser lida aqui!
Aqui fica um excerto da palestra politicamente… de Alain Minc, numa análise prospectiva das relações entre os dois lados do Atlântico.. e não só!
Sob um certo ponto de vista, os Estados Unidos são, actualmente, uma espécie de síntese do novo mundo. Se me é permitido, utilizarei as seguintes palavras: Ontem, os Estados Unidos eram um país ocidental, mas hoje são um «país universal», uma espécie de súmula do mundo inteiro e não unicamente a expressão do antigo mundo ocidental.
[…]
A que se assemelham os Estados Unidos quando os indianos se tornarem tão poderosos como os judeus, os chineses ficarem tão influentes como os WASP – white anglo-saxon people, e os hispânicos detiverem tanta influência política como os irlandeses católicos?
Claramente, as elites dos Estados Unidos mudarão.
Basta observar quem se encontra, actualmente, nas universidades americanas e saberemos, com exactidão, quem comandará o país daqui a cinco, dez ou vinte anos.
Será possível imaginar os Estados Unidos com os indianos, os chineses e os hispânicos nas posições de liderança? Será este o mesmo país e terá os mesmos laços com a Europa? Funcionará o multiculturalismo como actualmente funciona?
[…]
Esses não são os Estados Unidos com os quais a Europa se sente tão directamente ligada.
Quais serão, então, os seus valores?
Partilharemos a democracia e o mercado. Felizmente, esses valores são cada vez menos ocidentais e mais universais.
Todavia, à excepção desses, teremos a longo prazo uma visão comum sobre Deus? Sobre o lugar da religião nas nossas sociedades, sobre os direitos humanos ( incluindo o aborto e a pena de morte), sobre o habeas corpus, sobre a liberdade ou mesmo sobre o equilíbrio de poder?
A Europa é e será, se este termo pode ser utilizado, o reservatório dos velhos valores ocidentais; os Estados Unidos serão o laboratório dos novos valores universais.
É também evidente que as diferenças estão associadas às nossas opiniões públicas. Na Europa, infelizmente, o pacifismo significa antiamericanismo e anticapitalismo.
[…]
Até agora existia uma velha base de hábitos, história e valores comuns nas relações transatlânticas. Manter-se-á a longo prazo?
Penso ser óbvio que o multiculturalismo vai funcionar e que as minorias americanas serão profundamente americanizadas, mas essa multiculturalização alterar-se-á com os novos costumes, e alterar-se-á tanto mais quanto as minorias mudarem.
[…]
Enquanto «país universal», os Estados Unidos terão preocupações universais e parece óbvio que, a longo prazo, a China será o seu principal adversário, o seu principal complexo industrial, o seu primeiro credor, e, evidentemente, o seu principal concorrente estratégico.
[…]
Claramente, haverá uma América com fortes elites chinesas, sino-americanas, que terão de negociar com a China.
Depois existitrá, é claro, a Índia. O futuro complexo mundial de serviços: porque é que a indústria vai para a China e os serviços para a Índia? Devido à língua inglesa. Quando se trabalha na indústria dos serviços é necessário falar inglês; ao invés, quando se trabalha numa fábrica, é preciso falar a língua local.
[…]
A Rússia continuará no jogo, menos como potência nuclear e mais como potência petrolífera.
Obviamente, as áreas eruptivas ( Médio Oriente, Ásia Central), com ligações ao terrorismo, preocuparão os Estados Unidos. E, no que respeita à ameaça terrrorista, esta afecta todos os países e não só os países ricos. A mesma ameaça não cria um interesse comum unicamente entre os Estados Unidos e a Europa, mas entre os Estados Unidos e o resto do mundo.
[…]
Quais serão as nossas preocupações em comparação com as dos Estados Unidos?
Na realidade, enquanto europeus, teremos três preocupações: A primeira será a imigração, a tornar-se uma obsessão crescente para países como a Itália, Espanha e Portugal. Países de emigração até agora, terão de aprender a ser países de imigração, como o foi sempre a França. A segunda, está associada à primeira e relaciona-se com a demografia e a questão das pensões, que se tornará para nós uma questão central. A terceira liga-se à imprecisão das nossas fronteiras. Desconhecemos onde se encontram as mesmas a leste e a sul.
Parece, portanto, claro, que não nos consideramos como uma potência mundial!
[…]
Já não teremos inimigos comuns. O terrorismo não é um inimigo comum: é um bode expiatório comum, insuficiente para fortalecer uma aliança de longa duração.
Creio, por isso, que vivemos, ou viveremos, realmente, em dois mundos diferentes.
[…]
in Conflito e Cooperação nas Relações Internacionais
Relações Transatlânticas Europa-EUA
A definição de Televisão de Serviço Público só tem nexo se integrada num contexto mais amplo da discussão em torno do melhor modelo, nas sociedades contemporâneas.
A noção clássica de Serviço Público é baseada numa concepção normativa de bem e numa visão suspeita das práticas comportamentais do cidadão comum, enquanto membro de uma organização política e social.
A questão reside em saber se tal visão é legítima numa sociedade Democrática Liberal, onde o indivíduo é sublimado e nenhuma noção de bem ou de correcto deve ser imposta à comunidade!

O satírico O Inimigo Público atingiu o ponto de maturidade que lhe permite sair do suplemento semanal das sextas-feira do jornal Público e estreou esta noite na SIC, demonstrando mais uma vez a capacidade criativa da irreverente equipa das Produções Fictícias.
Da primeira edição, destaco a peça sobre o novo avião A380 e a declaração de Bin Laden.
Notícia da pivô Ana Rita Clara:
– Quem também se mostrou satisfeito com mais esta mostra de vitalidade da indústria aeronáutica, foi o Director Geral da Al-Qaeda, o terrorista anteriormente conhecido por Osama Bin Laden, que, em declarações surgidas no site da Al Jazeera e no site do Bloco de Esquerda, os dois órgãos oficiais da Al-Qaeda, manifestou todo o seu contentamento:
Declaração de Bin Laden:
– Allah aprova esse condor dos ares que pode transportar mais de 800 infiéis.
Com 70 metros de comprimento, 64 metros de envergadura, 20 metros de altura, 560 toneladas de peso, o novo A 380 é um sonho para a organização, melhor do que 70 virgens da Look Elite, um sonho doce como uma tâmara e como a Marisa Cruz.
Com um mínimo de 850 mortos já assegurados, não temos mais necessidade de atacar arranha-céus, podendo focar a nossa atenção em alvos simbólicos e artísticos do Ocidente, como a Torre Eiffel, a Torre de Londres, o Guggenheim de Bilbao, o Parque Mayer, o espólio de vestidos do Augustus, a biblioteca do Pacheco Pereira na Marmeleira, a colecção de perucas do grupo Seiva Trupe e a pila do Cargaleiro que está no Parque Eduardo VII.
Já temos 10 mártires que se prontificaram para morrer por Allah , dirigindo o novo A 380 ou lendo o último romance de Lídia Jorge.
No paraíso vão encontrar 70 jovens que tecnicamente são virgens, pois têm ainda o hímen intacto, somente tendo praticado sexo oral, anal e masturbado os seus inúmeros parceiros. Hoje em dia é o que se arranja!
A não perder!

[…]Trinta anos depois do estabelecimento da democracia, como funciona o espaço público em Portugal?
A constatação imediata é a de que não existe. Está por fazer a história do que, nesse plano, se abriu e quase se formou durante os anos «revolucionários» do pós-25 de Abril, para depois se fechar, desaparecer e ser substituído pelo espaço dos media que, em Portugal, não constitúi um espaço público.
Como definir esse espaço aberto de expressão e de trocas, essencial para que a liberdade e a criação circulem num campo social? Determinemos primeiro como se manifesta a sua ausência na sociedade portuguesa.
Não há debate político: nem sequer na televisão que cria um espaço artificial, com regras predeterminadas que limitam a espontaneidade das intervenções, o acaso, e a participação desse «fora» que faz toda a riqueza da expressão pública. Nos jornais e na rádio, os debates confinam-se a troca de opiniões e argumentos entre homens políticos, sempre de um partido, visto que no mundo da política não há lugar para independentes, ou entre comentadores, pretensos «opinion makers» que dialogam constantemente entre si, em círculo fechado. Muitos dos políticos são também comentadores, fazem o discurso e o metadiscurso, o que suscita um circuito abafador e redundante: sempre as mesmas vozes e a mesma escrita nos mesmos tons, com os mesmos argumentos, com o mesmo plano de sentido, como se as ideias políticas se reduzissem a um empirismo sociológico de estratégias partidárias.
Se a política é «chata» em Portugal, se os portugueses estão «fartos dos políticos», isso não se deve apenas à sua incompetência, mas também ao próprio universo do debate político em que nada de novo, de inovador, de diferente, de forte, de original e estimulante surge para abalar os espíritos. O discurso político tem por função legitimar políticas ou projectos políticos e o metadiscurso confirmar essas legitimações. Confirmar, confirmar: eis para que se acumulam toneladas de argumentos e de pseudo-ideias mais ou menos subtis.
Quanto a uma abertura para fora – quando o peso da Europa Comunitária nas decisões do governo português é maior do que nunca – pode perguntar-se qual é a presença da questão europeia nos «debates» políticos nacionais?
Não há espaço público porque este está nas mãos de umas quantas pessoas cujo discurso não faz mais do que alimentar a inércia e o fechamento sobre si próprios da estrutura das relações de força que elas representam. Os lugares, tempos, dispositivos mediáticos e pessoas formam um pequeno sistema estático que trabalha afanosamente para a sua manutenção.
José Gil
Portugal, Hoje – O Medo de Existir
Relógio d’Água, 3ª edição, 2005

Quando as tuas mãos, amor,
procuram as minhas,
que me trazem em seu vôo?
Por que se detiveram
na minha boca, de súbito,
por que é que as reconheço
como se já antes
as tivesse tocado,
como se antes de existir
tivessem percorrido
a minha fronte, a cintura?A sua suavidade
voava sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
sobre a primavera,
e quando puseste
as mãos no meu peito,
reconheci essas asas
de pomba dourada,
reconheci essa greda
e essa cor de trigo.Passei os anos
da minha vida a procurá-las.
Subi as escadas,
atravessei os recifes,
levaram-me os comboios,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
imaginei tocar-te.De repente a madeira
trouxe-me o teu contacto,
as amêndoas anunciavam-me
tua secreta doçura,
até que as tuas mãos
em meu peito se fecharam
e ali como duas asas
terminaram a viagem.
in Os Versos do Capitão, de Pablo Neruda
Tradução de Albano Martins

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