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Não fôra..


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O ar quente na cara, durante a travessia de barco para chegar à praia..

A água estupidamente morna do Sotavento..

O divinal arroz de marisco da dona Maria do Carmo..

As ostras e as amêijoas da tasca junto à igreja em Cacela Velha..

.. e a Ria Formosa não teria o mesmo encanto..

nem ao pôr-do-sol..

Desculpa, mas já tinha as férias marcadas!

Sabes.. tenho um compromisso inadiável com os ventos dispersos pelo mar do sul!

Prometo que volto..
Um dia destes!

Cárcere



Edvard Munch

Self Portrait – Between Clock and Bed

Um terror já esquecido me atormenta,
Da humanidade inteira a dor me oprime;
Vive ela atrás desta muralha bolorenta,
E uma doce ilusão foi o seu crime!
Hesitas em ir até ela!
Tens medo de voltar a vê-la!
Anda! Teu temor faz que a morte mais se anime!

in FAUSTO, de Johann W. Goethe

Do encantamento da razão cognitiva, estética, ética..

Em artigo da Seara Nova, António Sérgio escreveu:
“Ainda rapazinho de escola, sucedia-me estudar, não me lembro em que livro, a teoria das equações. No final, tive uma espécie de visão de conjunto do todo harmonioso que acabara de ler. Dir-se-ia que tudo se concentrava agora – como se houvesse atravessado uma lente convexa – num foco luminoso que sentia em mim ( sempre vi a ciência e a filosofia na atitude de um artista e de um gourmet ).
Era um sentimento de perfeita música, de beleza clara; era a graça aural de uma luz plena. E isto aflorava precisamente de um simples e pedestre exercício de conceptualizar e julgar.”

Para além do papel de espectadores do mundo, temos a obrigação de utilizar a reflexão crítica enquanto exercício intelectual – função essencial para conciliar a razão e a intuição..
Mesmo que não constitua alívio para o sofrimento da existência, é importante refletir sobre a natureza das coisas, possuam ou não uma ética.

Glorious Day


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Gonna make my move
Gonna make it stay
Gonna make it last
Nevermind the past
Living for today..

Há mais de meia hora…

Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da “Enciclopédia Britânica”.
Ao lado direito –
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

Álvaro de Campos

A água do bébé

O local do banho.
Prepare, antecipadamente, um sabão neutro (os sais de banho só devem ser utilizados numa fase mais avançada), uma toalhinha ou toalhão de um turco, agradável ao toque..
É essencial escolher roupinhas macias, preferencialmente de seda.

A banheira (hidromassagem não é recomendada para o efeito), deve estar limpa e a água sensivelmente à temperatura do corpo..
Pegue no bébé (preferencialmente ao colinho) e deite-o suavemente na banheira, sem mergulhar a cabeça. Molhe primeiro a carinha (sem o sabão) e em seguida o resto do corpinho.
O braço esquerdo deve servir de apoio para a cabecinha, de modo a deixar a sua mão direita livre para lavar o bébé.
Ao passo que o bébé se sente mais à vontade, deixe-o libertar-se na água, ficando assim a mão esquerda livre para rodar o corpinho..

Ao retirá-lo da água, envolva-o no toalhão.
Deve ter um especial cuidado em secar bem as dobrinhas e o umbigo.
Em lugar do tradicional talco, utilize um óleo amaciador, à venda nas boas perfumarias. Não receie aconselhar-se com uma especialista em cosmética.
Vista o bébé com as roupinhas macias e arejadas..

E prepare-se para uma noite de contemplação!
Há coisa mais ternurenta que ver um bébé a dormir?!

The good guys are back in town

Vindo pelo Marquês, o caminho é sempre a descer.. em direcção ao rio.
Chegando aos Restauradores, há ali uma coisa do lado esquerdo que dá pelo nome de Hard Rock Cafe..
Enfia-se pela rua abaixo, vira-se à direita.. e chega-se ao Coliseu.
A cena passa-se a partir das 21:30.

Pat Metheny Group – The Way Up

Até aqui, nada de novo..
É até capaz de ser muito previsível, o concerto desta noite. Pela competência, entenda-se.. pois a magia dos concertos ao vivo reside no improviso; e este gajo é mesmo bom nisso!
Afinal de contas, é a quarta ou quinta vez que vejo este virtuoso guitarrista, que admiro há mais de vinte anos!
Mas é sempre um prazer renovado ver Pat Metheny na guitarra e Lyle Mays no piano.

Então vamos a isso..

enterrar os mortos e cuidar dos vivos


O povo, convencido que enfrentava o Dia do Juízo – instruído por alguns sacerdotes que defendiam que esta tragédia fôra um castigo de Deus – cultivava a piedade, caminhava pelas ruas empunhando cruxifixos e cuidava os moribundos que se amontoavam um pouco por toda a parte… e que pediam misericórdia.


Os trabalhos relativos à identificação dos proprietários das agora ruínas foi muito complicado, pois poucas pessoas detinham registos de propriedade.
O Marquês de Pombal, Ministro do Rei D. José, depois da firmeza demonstrada ao não hesitar enforcar os responsáveis pelas múltiplas pilhagens que se sucederam naquele caos, tratou de se rodear de homens como Manuel da Maia e Carlos Mardel – responsável, entre outras grandes obras, pelo esboço do Terreiro do Paço.


Iniciava-se a construção da Baixa Moderna, de ruas largas e dotadas de redes de esgotos.

A decadência é uma inevitabilidade

Nunca se pensa que mais cedo ou mais tarde terá de acontecer!
Verdadeiramente, alimentamos a ilusão de que esse dia nunca chegará!
Mas o processo é irreversível.
E, finalmente, chega o dia em que trágica e inevitavelmente.. somos ultrapassados pelo acontecimentos!

Para mim, chegou ontem.

Ao fim de uns imberbes treze anos de vida.. O pai mai lindo passou à história:

Desculpa lá, mas o Brad Pitt é melhor que tu!

– Não é isso que está em questão! – penso eu em desespero de causa!

Mas nem vale a pena argumentar que o fulano segura na perna da senhora como de um presunto se tratasse.. ou que (em Snatch) representa o retrocesso do Darwinismo!
Ou mesmo que o ar abichanado (em Troy) não dá curriculum a ninguém!

Não há volta a dar.