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A época de saldos começa hoje

Até 22 de Janeiro.

Entre Deus e o Homem há uma diferença dos diabos

E a maior de todas, é que Ele não dorme!

O homem sim, precisa descansar…
E isso faz toda a diferença!

Em dia de reis

A Epifania que transformou as nossas vidas faz 14 anos.

Plagiar* não é copiar a direito**

Façam o que eu digo, não façam o que eu faço.

* Plagiarism
** Copyright

Inside Dakar

Na verdade, é mais Dakar inside Lisboa mas, seja como fôr, já tive a minha estreia.
Ouvir de perto o roncar dos motores destes TT na estrada, mesmo não sendo de terra..
Não importa..
Sentir a atmosfera duma prova destas, é uma emoção!

O acompanhamento começou em Monsanto, num dos inúmeros viadutos – ao longo da ligação até à primeira classificativa – que se encheram de milhares de pessoas para ver a caravana do Dakar.
À passagem de cada máquina – em especial as dos portugueses -, o pessoal levantava as bandeiras nacionais, aplaudia, ao que os concorrentes ocorrespondiam, acenando ou mostrando os cachecóis.

As fotos foram tiradas em andamento, o que me valeu um olhar nº 3 de um dos co-pilotos, durante o acompanhamento na A2..

Saída da Marginal e entrada na CREL

CREL, pouco antes da entrada na A5

Monsanto, a caminho da Ponte 25 de Abril

Na Ponte 25 de Abril

A2, na zona de Almada

A2, na zona de Palmela

A2, na zona de Setúbal

Clique nas imagens para ampliar

Ó Sousa! Vê lá se fazes uma gracinha..

Hoje é um dia especial na mouraria, pois tem início em Lisboa a mítica aventura do Dakar!


Os meus favoritos são os Volkswagen larguinhos..
Naturalmente, se não puder ser o Sousa a ganhar, que seja o Sainz, pois também me gusta mucho!
Boa sorte a todos os portugueses envolvidos!

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…

Álvaro de Campos

sorrisos amarelos

No dia de Natal, fizemos as nossas crianças mais felizes, em boa parte por via do fair trade:

Cerca de 80% dos brinquedos foram importados da China ou dos vizinhos asiáticos, muitas vezes fruto do trabalho escravo de crianças, que só conhecem brinquedos porque são elas que os fabricam.

Negar esta realidade não alivia o desconforto de saber que, oculto no sorriso das nossas crianças ao receber um presente, está muitas vezes um trabalho desumano.

A ameaça

Hoje, ser competititivo no mercado global é também saber tirar vantagens de qualquer forma de ameaça.
Daí ter alguma dificuldade em entender as queixas por parte de alguns dos nossos empreendedores, face à dificuldade em competir com os chineses;
Durante décadas – em lugar de modernizarem as suas indústrias – mais não fizeram do que escravizar mão-de-obra barata!

Defendem o proteccionismo, ao mesmo tempo que pretendem tornar-se competitivos no mercado global – deslocalizando a produção para os países de leste – com baixo custo… salarial!
E depois criticam os chineses…


Da Marca
Amarela

O facto de chineses e indianos representarem quase metade da população mundial, bem como a provável melhoria das suas condições de vida – fruto da entrada no mercado global – fará deles não só das maiores potências económicas, mas também… culturais?!
Conheço pouco da cultura chinesa, mas sei que eles já praticavam o comércio livre muito antes de os europeus se aventurarem nos mares da China.
Não creio, porém, que os chineses que invadem a Europa sejam os melhores veículos dessa cultura.
Na realidade, são os novos escravos do século XXI (a grande maioria trabalhou no dia de Natal).
Não têm vida social, não os vemos nos espaços culturais e de lazer…

Um exemplo: na CeBIT – Feira de Telecomunicações e TI de dimensão mundial, que se realiza em Hannover na Alemanha, das centenas de expositores asiáticos e chineses em particular, a maioria permanece no stand todo o santo dia; recebem os visitantes enquanto seguram uma tigela de arroz e um pacote de sumo…
Reflectem na actividade profissional a sua forma de estar na vida, que respeito.. mas não entendo.

O carteiro Elmano

Raramente como em Bocage (1765-1805), a vida e obra de um poeta estão tão intrinsecamente ligadas.
À imagem de obsceno e libertino está associada uma das figuras maiores da nossa história literária; O Bocage da exaltação da liberdade, da lírica, da tradução, é muito mais que o irreverente Bocage das anedotas.

Foi o Bocage desbocado e boémio que escreveu As Cartas de Olinda a Alzira; No primeiro manifesto feminista da literatura portuguesa, são relatadas na primeira pessoa as aventuras sexuais de duas jovens mulheres.

No Manifesto Epístola a Marília, são colocados a nu os déspotas e a moral vigente do seu tempo; em última análise, o Clero.

No âmbito das comemorações do bicentenário da morte du Sadino, a Biblioteca Nacional dedica-lhe a Exposição Eis Bocage… até 28 de Janeiro de 2006.

Epístola I

Olinda e Alzira

Que estranha agitação não sinto n’alma
Depois que te perdi, querida Alzira!
De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo,
Que a tua companhia incendiava!
Por uma vez se foi minha alegria,
Nem a mesma já sou, que outrora hei sido!
Minhas vistas ao céu lânguidas se erguem,
E a mim própria pergunto d’onde venha
Tão novo sentimento assoberbar-me?
Não se aquieta o coração no peito,
Não cabe nele, e viva chama no íntimo
Das entranhas ardente me devora,
Sem que eu possa atinar a causa, a origem.
Aqueles passatempos que na infância
Tão do peito queria, em ódio os tenho.
Das mesmas superioras a presença,
Que d’antes para mim era indif’rente,
Se me torna hoje dura, intolerável!
Aonde, aonde irão estes impulsos
Precipitar a malfadada Olinda?
Será, querida Alzira, a tua ausência,
Que me faz derramar tão agro pranto?
Debalde a largos passos solitária
Vago sem norte: ignoro o que procuro;
Ah! Minha cara! Os males que tolero
Expressá-los não posso, nem sofrê-los.

Pavorosa Ilusão da Eternidade
– Epístola a Marília

Pavorosa ilusão de Eternidade,

Terror dos vivos, cárcere dos mortos;
D’almas vãs sonho vão, chamado inferno;
Sistema de política opressora,
Freio que a mão dos déspotas, dos bonzos

Forjou para a boçal credulidade;
Dogma funesto, que o remorso arraigas
Nos ternos corações, e a paz lhe arrancas:
Dogma funesto, detestável crença,
Que envenena delícias inocentes!
Tais como aquelas que o céu fingem:
Fúrias, Cerastes, Dragos, Centimanos,

Perpétua escuridão, perpétua chama,
Incompatíveis produções do engano,
Do sempiterno horror horrível quadro,
(Só terrível aos olhos da ignorância)
Não, não me assombram tuas negras cores,
Dos homens o pincel, e a mão conheço:
Trema de ouvir sacrílego ameaço
Quem d’um Deus quando quer faz um tirano:

Trema a superstição; lágrimas, preces,
Votos, suspiros arquejando espalhe,
Coza as faces co’a terra, os peitos fira,
Vergonhosa piedade, inútil vénia

Espere às plantas de impostor sagrado,
Que ora os infernos abre, ora os ferrolha:
Que às leis, que às propensões da natureza
Eternas, imutáveis, necessária,
Chama espantosos, voluntários crimes;

Que as vidas paixões que em si fomenta,
Aborrece no mais, nos mais fulmina:

Que molesto jejum roaz cilico
Com despótica voz à carne arbitra,
E, nos ares lançando a fútil bênção,

Vai do grã tribunal desenfadar-se
Em sórdido prazer, venais delícias,
Escândalo de Amor, que dá, não vende.

II

Oh Deus, não opressor, não vingativo,
Não vibrando com a destra o raio ardente
Contra o suave instinto que nos deste;
Não carrancudo, ríspido, arrojando
Sobre os mortais a rígida sentença,
A punição cruel, que execede o crime,
Até na opinião do cego escravo,
Que te adora, te incensa, e crê que és duro!
Monstros de vis paixões, danados peitos
Regidos pelo sôfrego interesse
(Alto, impassivo númen!) te atribuem
A cólera, a vingança, os vícios todos

Negros enxames, que lhes fervem n’alma!
Quer sanhudo, ministro dos altares

Dourar o horror das bárbaras cruezas,
Cobrir com véu compacto, e venerando

A atroz satisfação de antigos ódios,
Que a mira põem no estrago da inocência,
(…)
Ei-lo, cheio de um Deus, tão mau como ele,

Ei-lo citando os hórridos exemplos
Em que aterrada observe a fantasia
Um Deus algoz, a vítima o seu povo:
(…)
Ah! Bárbaro impostor, monstro sedento
De crimes, de ais, de lágrimas, de estragos,
Serena o frenesi, reprime as garras,
E a torrente de horrores, que derramas,
Para fundar o império dos tiranos,
Para deixar-lhe o feio, o duro exemplo
De oprimir seus iguais com férreo jugo.
Não profanes, sacrílego, não manches
Da eterna divindade o nome augusto!
Esse, de quem te ostentas tão válido,
É Deus de teu furor, Deus do teu génio,
Deus criado por ti, Deus necessário
Aos tiranos da terra, aos que te imitam,
E àqueles, que não crêem que Deus existe.
(…)

Breve promessa de vida..

As Árvores

Há em cada árvore uma alma tua, uma alma tua
que se retorce em troncos e se abandona em frutos,
uma alma que se move sobre a terra pura
como sobre os seios os mamilos escuros.

Uma ave é cada folha que voa no outono
e que desfibrada vai alimentar uma flor,
cada tronco sofrido, chagado e resinoso
fornece por cada estria águas do coração…

Na planície a árvore é uma chaga viva
que se torra em brasas e ainda dá sombra.
Amassa-a no teu sangue viajante que passas
e pede que venha a Primavera azul

que lhe dará tremores de seiva e de harmonia
(folha oblonga ou rosada maçã do amanhecer)
e assim poderão ver os seus ramos ao alto…
É tão doce a sábia promessa do mel!

Pablo Neruda, Cadernos de Temuco