As lágrimas não se podem partilhar no Facebook, mas aqui fica este documento espantoso do final do último concerto público de Gustav Leonhardt, em Paris, a 12 de Dezembro passado. Depois de uma última peça de Jacques Duphly vem a Variação nº 25 das Variações Goldberg, que era o extra que ele gostava de oferecer nos dias em que estava feliz com o resultado. Leonhardt sabia que eram as últimas notas que tocava em público e percebe-se, através da aparente calma imperturbável da sua postura (“Tranquilo e infalível como Bruce Lee”, escrevi eu em tempos numa crítica, citando o verso de Caetano Veloso, para descrever esta serenidade), a emoção que o atravessa e que o faz até errar, por uma vez, algumas notas, mas o Mestre Johann Sebastian deve ter sorrido de gozo ao ouvir assim captada e transmitida, de forma tão pura, a essência da que talvez seja a sua página mais profunda.
Rui Vieira Nery, 18-01-2012.
O Mestre cravista Gustav Leonhardt (30-05-1928 / 16-01-2012) será homenageado amanhã pelas 17h na Igreja de S. Roque (entrada livre) pelos muitos amigos portugueses que tiveram o privilégio de desfrutar da sua música e da sua presença, desde a Casa Mateus, em Vila Real, à Gulbenkian, em Lisboa, passando pelo Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. Para Cristina Fernandes, Gustav Leonhardt era “a grande autoridade” da música antiga e o “mestre dos cravistas do século XX”.
O Professor Rui Vieira Nery recordará o Amigo e o Professor e organista João Vaz, que ontem dirigiu o Concerto de Ano Novo na Igreja S.Vicente de Fora, numa reconstituição da componente musical do ofício de Matinas para a Festa de São Vicente, tal como se praticaria em Lisboa por volta de 1770, apresentará, acompanhado pela contralto Carolina Figueiredo, o seguinte programa:
O segundo programa da série As Idades do Mundo, de Ana Mântua e João Chambers, é dedicado a Jheronimus Bosch. Quem não puder ouvir a emissão de domingo às 10h00 na Antena 2, tem a possibilidade de aceder ao Arquivo a partir de segunda-feira.
As “Imagens do Mundo” e da Humanidade através das visões de Jheronimus Bosch (?-1516) e da música de Joachimus de Monte, Cristianus Hollander, Jean Richafort, Nicolas Gombert e de autores anónimos, extraída dos “Livros de Coro do Colégio das Sete Horas Litúrgicas” da Igreja de São Pedro, na cidade de Leiden, nos Países Baixos, sobrevivente da fúria iconoclasta e destruidora, dos dias 25 e 26 de agosto de 1566, que discordava da existência, não particularmente devota, de alguns membros da ordem religiosa local.- Shakespeare, Hamlet, acto 2, cena 2
(tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen)

A rubrica Caleidoscópio da Antena 2 difunde desde ontem uma série de 12 programas de audição obrigatória. Domingo às 10h00 | Ana Mântua/João Chambers

Dias 07 e 14 de Janeiro, na Antena 2.
Considerando a documentação, toda de uma excepcional riqueza histórica, a sobreviver até aos nossos dias, constituída pelos vários volumes dos dois processos que lhe instauraram – o de condenação em 1431 e o de reabilitação em 1456 –, Joana d’Arc mantém-se como uma das personagens mais conhecidas e enigmáticas do século XV. Na verdade, esta circunstância refere-se, em primeiro lugar, ao contraste que tornou a sua acção, a par das fontes históricas que a documentam, profundamente desconcertante. Desde camponesa iletrada, ou seja, a parca instrução limitava-se a pouco mais do que saber recitar de cor várias orações, aos ecos de sermões escutados ou até às conversas com personalidades influentes, foi guindada a uma posição de grande destaque na História de França.
João Chambers

O princípio, atribuído a Joseph-Antoine Plateau (1801-1883), traduz-se no fenómeno da velocidade de transmissão das imagens ao cérebro, que as interpreta como movimento se a sua sequência for animada. Foi essa ilusão que os Irmãos Lumière criaram através do seu Cinematógrafo com a projecção, em 28 de Dezembro de 1895, da Saída dos Trabalhadores da Fábrica Lumière. Nascia assim o cinema!

