Do Prazer dos Homens Casados

Mulheres minhas, infiéis, adoro amá-las:

Vêem meu olho em sua pelve embutido

E têm de encobrir o ventre já enchido

(Como dá gozo assim observá-las).

Na boca ainda o sabor do outro homem

Ela é forçada a dar-me tesão viva

Com essa boca a rir para mim lasciva

Outro caralho ainda no frio abdómen!

Enquanto a contemplo, quieto e alheio

Do prato do seu gozo comendo os restos

Esgana no peito o sexo, com seus gestos.

Ao escrever os versos, ainda eu estava cheio!

(O gozo ia eu pagar de forma extrema

Se as amantes lessem este poema.)

Poema de Bertolt Brecht, gravura de Pablo Picasso

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