Presidenciais Americanas 2008

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Google – Resultados da Eleições Americanas

 

 

 

 

Discurso de Obama após a vitória

“Olá, Chicago”

Se porventura ainda há aqui alguém que duvida que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se questiona se o sonho dos nossos fundadores continua vivo actualmente, que ainda questiona a força da nossa democracia, esta noite é a sua resposta.

CHICAGO´2016 QUER APOIO DE OBAMAÉ a resposta dada pelas filas que se estenderam em redor de escolas e igrejas, num número como esta nação nunca antes tinha visto, pelas pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas delas pela primeira vez nas suas vidas, porque acreditavam que esta vez tinha que ser diferente e que as suas vozes podiam fazer essa diferença.

É a resposta dada pelos jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, deficientes e não deficientes. Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos uma simples colecção de indivíduos nem uma colecção de Estados vermelhos e de Estados azuis. 

Somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.

É a resposta que levou aqueles a quem foi dito, durante tanto tempo e por tantas pessoas, para serem cépticos, temerosos e a pôr em dúvida tudo aquilo que poderíamos conseguir, a colocarem as mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais na direcção da esperança num dia melhor.

Tardou a chegar, mas esta noite, devido ao que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos Estados Unidos.

Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.

O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Fez sacrifícios pelos Estados Unidos que não podemos nem imaginar. Todos beneficiámos com o serviço prestado por este líder corajoso e abnegado.

Felicito-o, felicito a governadora Palin, por tudo o que conseguiram. E desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer ao meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com todo o seu coração e que falou pelos homens e mulheres com quem foi criado nas ruas de Scranton e com quem regressava de comboio a casa, em Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

E não estaria aqui esta noite sem o apoio incondicional da minha melhor amiga nos últimos 16 anos, o pilar da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia, amo-vos às duas mais do que possam imaginar. E mereceram o novo cachorro que nos acompanhará até à nova Casa Branca.

E apesar de já não estar entre nós, sei que a minha avó está a ver-nos, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou hoje. Tenho muitas saudades deles esta noite. Sei que a minha dívida para com eles é incalculável.

À minha irmã Maya, à minha irmã Alma, a todos os meus outros irmãos e irmãs, obrigado por todo o apoio que me deram. Estou-vos grato. 

E ao meu chefe de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, quem construiu a melhor, a melhor campanha política, estou certo, da história dos Estados Unidos da América.

Ao meu principal estratega, David Axelrod, que foi um parceiro em cada passo deste caminho.

À melhor equipa de campanha que foi formada na História da política. Vocês fizeram disto uma realidade e estou-vos eternamente agradecido pelo que sacrificaram para o conseguirem.

É vossa, esta vitória

Mas, acima de tudo, nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela é vossa. Ela é vossa.

Nunca pareci o candidato a este cargo com mais possibilidades. Não começámos com muito dinheiro nem com muito apoio. A nossa campanha não foi planeada nos corredores de Washington. Teve início nos jardins traseiros de Des Moines, nas salas-de-jantar de Concord e nos porches de Charleston. Foi criada pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às poucas poupanças que tinham para doarem cinco, dez e vinte dólares a esta causa.

Adquiriu força com os jovens que rejeitaram o mito da apatia da sua geração, que deixaram para trás as suas casas e as suas famílias por empregos com fraca remuneração e que lhes tiraram muitas horas de sono.

Adquiriu força com as pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gélido e o calor ardente para baterem às portas de desconhecidos e com os dois milhões de americanos que se voluntarizaram, se organizaram e demonstraram que, mais de 200 anos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não se desvaneceu da Terra. 

Esta é a vossa vitória.

E sei que não fizeram isto apenas para ganharem umas eleições. E sei que não o fizeram por mim.

Fizeram-no porque compreendem a magnitude da tarefa que está pela frente. Porque apesar de celebrarmos esta noite, sabemos que os desafios de amanhã são os maiores do nosso tempo – duas guerras, um planeta em perigo e a pior crise financeira num século.

Apesar de estarmos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos que estão a acordar nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós. 

Há mães e pais que ficam acordados depois de os seus filhos adormecerem e que se questionam como é que irão pagar o empréstimo da casa ou as contas dos médicos ou como é que irão poupar o suficiente para pagarem a educação universitária dos seus filhos.

Há uma nova energia para aproveitar, novos postos de trabalho para criar, novas escolas para construir e ameaças para responder, alianças para reformular. 

O caminho em frente será longo. A subida será íngreme. Poderemos não chegar lá num ano nem mesmo num mandato presidencial. Mas, América, nunca me senti tão esperançado – como estou esta noite – de que lá chegaremos. Prometo-vos que nós, como povo, chegaremos lá.

Haverá contrariedades e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou medidas políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas.

Um presidente que escutará

Mas serei sempre honesto convosco acerca dos desafios que tivermos pela frente. Escutá-los-ei, especialmente quando estivermos em desacordo. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que participem na tarefa de reconstruir esta nação da única forma que tem sido feito na América há 221 anos – bloco sobre bloco, tijolo sobre tijolo, mão encalecida sobre mão encalecida.

Aquilo que começou há 21 meses, em pleno Inverno, não pode terminar nesta noite de Outono. 

Esta vitória, só por si, não é a mudança que procuramos. É apenas a oportunidade de criarmos essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos ao que era antes. Não poderá acontecer sem vocês, sem um novo espírito de serviço, um novo espírito de sacrifício.

Assim, impregnemo-nos de um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós participe e trabalhe mais e cuide não só de si mesmo mas também dos outros.

Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, foi que não podemos ter uma Wall Street próspera enquanto a Main Street [o cidadão comum] sofre.

Neste país, ascendemos ou caímos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de voltar a cair no mesmo tipo de partidismo, de mesquinhez e de imaturidade que intoxicou a nossa vida política durante tanto tempo.

Recordemos que foi um homem deste Estado quem levou pela primeira vez à Casa Branca a bandeira do Partido Republicano, um partido alicerçado nos valores da auto-suficiência, da liberdade do indivíduo e da unidade nacional.

Esses são valores que todos partilhamos. E apesar de o Partido Democrata ter conseguido uma grande vitória esta noite, isso acontece com humildade e a determinação de curar as divisões que impediram o nosso progresso.

Conforme disse Lincoln a uma nação muito mais dividida do que a nossa, não somos inimigos mas sim amigos. Apesar da paixão poder ter sido refreada, não deve romper os nossos laços de afecto. 

E quero dizer aos americanos cujo apoio tenho ainda de conquistar que posso não ter ganho os vossos votos esta noite, mas escuto as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei também o vosso presidente.

A América pode mudar

E a todos aqueles que nos vêem esta noite, mais além da nossa costa, em parlamentos e palácios, a todos aqueles que estão agarrados à rádio nos recantos mais esquecidos do mundo, as nossas histórias são diversas, mas o nosso destino é partilhado e é chegado um novo amanhecer da liderança norte-americana.

A todos aqueles – a todos aqueles que querem derrubar o mundo: vamos derrotar-vos. A todos aqueles que procuram paz e segurança: vamos apoiar-vos. E a todos aqueles que se perguntam se o farol dos Estados Unidos ainda ilumina com o mesmo vigor: esta noite provámos, uma vez mais, que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas nem da magnitude da nossa riqueza, mas sim do poder duradouro dos nossos ideais: a democracia, a liberdade, a oportunidade e a esperança firme.

É esta a verdadeira genialidade da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. Aquilo que já alcançámos dá-nos esperança em relação ao que podemos e temos de alcançar amanhã.

Estas eleições tiveram muitas novidades e muitas histórias que se contarão durante muitas gerações. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta. É uma pessoa semelhante aos milhões de outras pessoas que estiveram na fila para fazerem valer a sua voz nestas eleições, excepto numa coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos. 

Nasceu na geração logo a seguir à escravatura; uma época em que não havia carros nas estradas nem aviões nos céus; em que uma pessoa como ela não podia votar, por duas razões: porque era mulher e por causa da cor da sua pele.

E esta noite penso em tudo aquilo que ela viu ao longo do século que viveu na América – a desolação e a esperança. A luta e o progresso; as vezes que nos disseram que não éramos capazes e as pessoas que se esforçaram por levar avante o credo americano: sim, somos capazes.

Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças eram desvanecidas, ela sobreviveu a tudo isso e conseguiu vê-las levantarem-se, expressarem as suas opiniões e votarem. Sim, somos capazes. 

Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu como uma nação superou o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, um novo sentido de propósitos comuns. Sim, somos capazes.

Quando as bombas caíram nos nossos portos e a tirania ameaçou o mundo, ela ali esteve para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Sim, somos capazes.

Ela estava presente para ver os autocarros de Montgomery, aspersores de rega em Birmingham, uma ponte em Selma e um pregador em Atlanta que disse a um povo que “Havemos de Superar”. Sim, somos capazes.

Um homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e o mundo interligou-se através da nossa ciência e imaginação.

E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque depois de 106 anos na América, vivendo boas e más horas, ela sabe que a América pode mudar. Sim, somos capazes. 

América, chegámos muito longe. Já vimos muito. Mas há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemo-nos – se os nossos filhos viverem para ver o próximo século, se as nossas filhas tiverem a sorte de viver tanto tempo como Ann Nixon Cooper, que mudanças verão? Que progressos teremos feito? Esta é a nossa oportunidade de respondermos a esse chamamento. Este é o nosso momento.

É tempo de darmos empregos ao nosso povo e abrirmos as portas da oportunidade para os nossos filhos; de restaurarmos a prosperidade e fomentarmos a causa da paz; de recuperarmos o sonho americano e reafirmarmos essa verdade fundamental que, em muitos, somos um só; que enquanto respirarmos, teremos esperança. E quando nos depararmos com cepticismo e dúvidas e com pessoas que nos digam que não somos capazes, responderemos com esse credo eterno, que resume o espírito de um povo: sim, somos capazes.

Obrigado. Que Deus vos abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.

 

Refazer a América “tijolo por tijolo, quarteirão por quarteirão”

06.11.2008, Rita Siza, Chicago – Público 

O Presidente eleito não vai esperar pela transferência do poder para começar a trabalhar e conta com o apoio de um Congresso onde os democratas cresceram

Barack Obama, o Presidente eleito dos Estados Unidos, explicou numa frase a enormidade do desafio que terá em mãos quando chegar à Casa Branca, em Janeiro de 2009: “É o trabalho de refazer a América, tijolo por tijolo, quarteirão por quarteirão.”

Com a economia americana à beira da recessão e o orçamento federal estrangulado por um défice cavalgante; o país envolvido em guerras no Iraque e Afeganistão e sob a permanente ameaça terrorista e sem soluções fáceis para atender à crise do sistema de saúde, à dependência do petróleo internacional ou ao combate ao aquecimento global, é uma verdadeira missão de reconstrução que o espera em Washington.
“Mesmo enquanto celebramos, reconhecemos que os desafios que enfrentamos a partir de amanhã são os maiores da nossa vida: duas guerras, um planeta em perigo e a pior crise financeira do século”, declarou Obama, no seu discurso de vitória.
O génio da América
O Presidente escolhido pelo maior número de eleitores de sempre manifestou optimismo, sublinhando que “o verdadeiro génio da América é a sua capacidade para mudar”. “E uma nova era de liderança americana começa hoje”, prometeu. Mas mostrou cautela, avisando que o caminho vai ser difícil, longo e estará marcado por diferenças e desentendimentos. 
A prioridade número um da próxima Administração não é uma escolha política de Obama, mas resulta das circunstâncias do país: a economia. “Quem quer que ganhasse a eleição teria sempre um conjunto imutável de assuntos na agenda para atender, a começar evidentemente pela crise financeira global”, observa Stephen Flanagan, do Center for Strategic and International Studies, de Washington. “Sem margem para dúvidas, a economia será o centro dos meses iniciais da próxima presidência”, garante.
Obama poderá ser chamado a cumprir algum papel na próxima cimeira económica de líderes mundiais, convocada pelo Presidente George W. Bush para o final da próxima semana. Mas além de lidar com os problemas dos mercados globais, o futuro Presidente terá de atender de imediato à situação doméstica – alegadamente, Obama já estará em conversações com o Congresso para a aprovação de um novo plano de estímulo de 100 mil milhões de dólares para alimentar os cofres do fundo do desemprego ou da ajuda alimentar, para a assistência energética e para a execução de obras públicas.
Além da devolução da confiança dos consumidores, empresários e investidores americanos, a nova Administração assumiu como tarefa prioritária a recuperação da imagem e prestígio internacional da América – que depende, em grande medida, do cumprimento da sua promessa de retirada das tropas no Iraque.
Obama precisa de dar passos rápidos e no primeiro dia como Presidente eleito deu um sinal da sua urgência em atacar os problemas. O democrata sabe que um novo líder tem sempre o benefício da dúvida e goza de um estado de graça, mas também sabe que, perante a conjuntura extraordinária que a América atravessa, a sua margem de manobra é limitada e a tolerância para erros será escassa.
A sua equipa de transição, liderada por John Podesta, o antigo chefe de gabinete do Presidente Bill Clinton, não vai esperar pela transferência do poder, a 20 de Janeiro de 2009, para começar a montar o gabinete de Obama e a estrutura do seu governo.
Fontes ligadas à campanha não excluíam a possibilidade de Obama convocar uma conferência de imprensa ainda antes deste fim-de-semana para anunciar alguns nomes da sua Administração. Antes do final do mês, o democrata poderá revelar as suas escolhas para as pastas mais sensíveis: Tesouro, Estado e Defesa, onde se fala na possibilidade de um período de transição durante o qual o actual chefe do Pentágono, Robert Gates, se manteria no cargo.
Como assinalava ontem Simon Rosenberg, presidente do think tank democrata NDN, o verdadeiro teste de Obama será ter de decidir entre “o que ele pode fazer e o que ele queria poder fazer”. “A diferença entre as belas promessas da campanha e a dura realidade do governo pode ser turbulenta”, avisou.
Um novo Congresso
Obama trabalhará em circunstâncias radicalmente diferentes das do seu antecessor. Estará acompanhado por um novo Congresso onde predomina a mesma cor política, e um dos seus desafios será gerir o desequilíbrio da reforçada maioria democrata e da desmotivada bancada republicana – que se tornou francamente mais conservadora e radical na sequência dos resultados das eleições para o Senado e Câmara dos Representantes.
Ontem, permaneciam em aberto as corridas para o Senado no Kentucky e no Minnesota. O reforço dos democratas na câmara alta do Congresso, com um total de 56 lugares, ficou a quatro da maioria de dois terços. Na câmara baixa, também houve ganhos significativos: são agora 245 democratas contra 167 republicanos (23 lugares por atribuir) .
A mudança do poder em Washington tem tanto de oportunidade como de risco, como apontam as declarações do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. “Houve uma onda de mudança que varreu o país. Nós obtivemos um mandato histórico, não para executar a nossa ideologia, mas para ultrapassar divisões e alcançar resultados”, frisou.
Os democratas seguramente usarão a sua vantagem executiva e legislativa para redefinir a agenda e inverter as políticas seguidas pela Administração Bush nos últimos oito anos, tal como prometeram aos eleitores – da modificação do código fiscal ao fecho da prisão militar de Guantánamo.

Barack Obama escolheu Rahm Emanuel para seu chefe de gabinete

Por PÚBLICO
06.11.2008
Foi o primeiro gesto político do Presidente eleito: Barack Obama escolheu o democrata Rahm Emanuel, membro da Câmara dos Representantes, para seu chefe de gabinete, informaram fontes do Partido Democrata. Esperam-se também escolhas rápidas para a economia e a segurança interna.

 

 

O “Chief of Staff” de Barack Obama
Perfil: Rahm Emanuel
06.11.2008
O homem que se irá tornar no chefe de gabinete de Barack Obama, o vencedor das eleições presidenciais nos EUA, é um congressista conhecido por ser um “estratega” e um notável “angariador de fundos”.
 
O democrata do Illinois, de 48 anos, é igualmente conhecido pelo seu estilo duro e agressivo na arena política.                

Considerado um centrista democrata, Emanuel foi uma peça fundamental no plano de “bailout” de 700 mil milhões de dólares para salvar os Estados Unidos da crise financeira mundial, ajudando a mobilizar os democratas para que o plano fosse aprovado.

Teve uma ascenção rápida dentro da estrutura democrática na Câmara dos Representantes desde que foi eleito, em 2002, para o Congresso pelo primeiro distrito de Chicago, estado do Illinois.

No seu segundo mandato, Emanuel serviu no Ways and Means Committee, responsável pelos impostos, comércio, segurança social e assuntos de saúde.

Foi nomeado presidente do Comité da Campanha para o Congresso Democrático 2006.

Sob a sua liderança, os democratas ganharam 30 assentos na Câmara dos Representantes, permitindo-lhes o controlo da câmara, depois de 12 anos de domínio republicano.

Rahm Emanuel foi igualmente director financeiro da campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992, e foi seu conselheiro político entre 1993 e 1998, primeiro como assistente para a Política Externa e depois como conselheiro sénior para a Política e a Estratégia.

Depois do fim da “era Clinton”, Emanuel tornou-se director de um banco de investimentos em Chicago, voltando agora à arena política.

 

 

Marc Serota/Reuters (Arquivo)
Já estiveram 780 homens em Guantánamo, ainda lá estão 255. A maioria dos libertados não enfrentou acusações no seu país de origem
Barack Obama sagrou-se esta madrugada presidente dos EUA
Eleições nos EUA: Os desafios do Presidente
Por Clara Barata, Ricardo Garcia, Sofia Lorena
05.11.2008
O novo presidente vai enfrentar três grandes testes. O primeiro desafio chama-se Guantánamo, a prisão de alta segurança que hoje sinónimo de tortura e ausência de lei. No que diz respeito à ciência é necessário fazer as pazes com os cientistas e no caso do ambiente enfrentar a crise energética e as alterações climáticas.
 
Repor direitos para recuperar legitimidade                

Por estes dias, a vontade de fechar Guantánamo tem feito o pleno: não só foi defendida pelos dois candidatos à Casa Branca como é algo que até a actual Administração gostaria de fazer. Depois das inúmeras condenações no mundo, chegou a unanimidade nos Estados Unidos. “Infelizmente”, afirmou a semana passada o secretário da Defesa de George W. Bush, Robert Gates, já não será possível a esta Administração encerrar a prisão militar. 

Abrir Guantánamo foi fácil: em Janeiro de 2002, quatro meses depois do 11 de Setembro, os militares da base naval americana de Cuba tiveram apenas 96 horas para preparar a chegada dos primeiros “combatentes ilegais” – assim designados para os distinguir de prisioneiros de guerra, a quem se aplicariam as Convenções de Genebra. Fechá-la é mais difícil.

Gates diz que hoje Guantánamo é uma das prisões mais bem geridas do mundo, mas admite que isso já não interessa. O símbolo da “guerra ao terrorismo” do Presidente Bush é também sinónimo de tortura e de ausência de lei. Hoje, quando se diz Guantánamo pensa-se em prisões secretas, Abu Ghraib, julgamentos fantoches, escutas sem mandado judicial, desrespeito pelos direitos humanos.

Já estiveram 780 homens em Guantánamo, ainda lá estão 255. A maioria dos libertados não enfrentou acusações no seu país de origem. Sete anos depois, só dois foram condenados em comissões militares com direitos limitados aprovadas nas últimas semanas de maioria republicana do Congresso, em 2006 (depois de o Supremo Tribunal ter declarado ilegal o primeiro modelo das comissões). Amanhã, pela primeira vez, seis detidos vão questionar a legalidade da sua detenção num tribunal federal, um direito que o Supremo lhes concedeu em Junho.

Para fechar Guantánamo é preciso começar por desfazer erros. Primeiro libertar os inocentes, o que não é fácil, porque muitos seriam perseguidos nos países de origem. Como o Pentágono insiste em dizer que eles são perigosos, recusa que entrem nos EUA e nenhum país aceita recebê-los. Mais difícil do que libertar os inocentes será decidir o que fazer com os culpados. Hoje estão lá alguns dirigentes da Al-Qaeda que ninguém sabe como julgar num tribunal normal depois de anos de secretismo e provas obtidas com recurso a tortura.

“Duplicar simplesmente as condições legais de Guantánamo dentro dos EUA faria pouco pelo restaurar da reputação da América como líder do cumprimento dos direitos humanos”, escreveu ontem em editorial o Boston Globe. O jornal termina pedindo ao próximo Presidente que encerre Guantánamo e transfira os presos para a jurisdição dos tribunais federais nos seus primeiros 100 dias, o mesmo que a Amnistia Internacional já pedira. S.L.

Fazer as pazes com os cientistas 

O próximo Presidente dos EUA tem de fazer as pazes com os cientistas – os oito anos de George W. Bush foram para eles uma guerra contra a ciência, que inclui até um manifesto assinado em 2004 por dezenas de galardoados com o Nobel, apelando a que Bush não fosse reeleito.

Um dos casos mais paradigmáticos foi o anúncio, num discurso na televisão, a 9 de Agosto de 2001, de que não seriam financiados estudos com culturas de células estaminais embrionárias produzidas para além daquela data. A decisão limitou os cientistas financiados com fundos federais – e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA são grandes financiadores da investigação em biomedicina em todo o mundo – a trabalhar com culturas que rapidamente se descobriu serem de má qualidade (contaminadas com ADN de ratinhos). 

Apesar de duas tentativas no Congresso para corrigir esta posição, apoiadas tanto por democratas como republicanos, nunca houve maioria suficiente para ultrapassar o veto de Bush. Mudar esta regra é, certamente, uma das primeiras medidas a tomar pelo próximo Presidente em termos científicos, em especial se se confirmar uma nova maioria democrata no Congresso. Tanto Obama como McCain são-lhe favoráveis.

Mas este é apenas um exemplo. Multiplicaram-se denúncias de casos em que a Administração Bush censurou a investigação por razões ideológicas. Por exemplo, em relatórios sobre as alterações climáticas. 

Os cientistas apostaram sempre nos democratas. Até porque tanto McCain como Sarah Palin fizeram afirmações que mostram não compreenderem bem o que é investigação básica. No caso de McCain, foi um comentário sobre a inutilidade de estudar o ADN dos ursos pardos. Quanto a Palin, o problema foi um discurso sobre as crianças com necessidades especiais. Dizia que se empenharia em fomentar a investigação em busca de tratamentos, em vez de se desperdiçar dinheiro com coisas ridículas, como experiências “com moscas-do-vinagre”. O problema, apressaram-se os cientistas a explicar, é que estes animais são muito usados para investigar doenças congénitas, como a síndrome de Down de que sofre o filho mais novo de Palin. C.B.

O clima e a energia, com a crise às costas

Quando entrar na Casa Branca, o novo Presidente terá duas espadas apontadas às costas, no que toca à política ambiental. A necessidade de fazer o contrário de Bush quanto ao aquecimento global é uma. A outra é a crise financeira, que trocou as voltas às promessas eleitorais.

Na campanha, tanto McCain quanto Obama afastaram-se da posição de Bush – que dispensou o Protocolo de Quioto, rejeitando metas concretas de redução de emissões de gases com efeito de estufa no país.

McCain propôs medidas para reduzir as emissões em 60 por cento até 2050, em relação aos níveis de 1990. Obama prometeu 80 por cento. Para chegar lá, ambos preconizaram a adopção de um sistema de tectos de emissões, e a sua consequente comercialização, para diferentes sectores da economia.

Porém, com as finanças comprometidas pela crise, os primeiros passos possivelmente seguirão pelo caminho mais fácil. “Creio que a crise financeira vai obrigar os Estados Unidos – e o resto do mundo – a olhar mais para medidas de eficiência energética, que reduzam emissões e poupem dinheiro ao mesmo tempo”, disse John Topping ao PÚBLICO.

No plano internacional, a expectativa é grande quanto à posição da nova administração nas negociações de um acordo pós-Quioto, em curso no âmbito das Nações Unidas. A posse do sucessor de Bush ocorrerá depois da próxima conferência climática da ONU, que se realiza em Dezembro, na Polónia. Mas é em 2009 que se concentrará a tarefa mais espinhosa de encontrar uma solução para um novo acordo global.

Internamente, a questão da energia continuará a dominar em boa parte a agenda ambiental. Bush não conseguiu aprovar a exploração de petróleo em santuários naturais no Alasca, mas a possibilidade de novos poços offshore continua sobre a mesa. 

As alternativas energéticas também darão luta. Obama quer apostar forte nas renováveis. Mas o Estado possivelmente terá menos dinheiro para isso. O nuclear é uma opção do programa de McCain, que gostaria de ver mais 45 centrais até 2030.

 

O Presidente global

06.11.2008, Jorge Almeida Fernandes – Público 

Os americanos elegeram um Presidente que foi previamente plebiscitado em todo o mundo. Chama-se Barack Hussein Obama. É negro, ou melhor, descendente de brancos e negros, filho de um imigrante vindo do Quénia, a personificação do “sonho americano”. Para o mundo, a sua eleição simboliza a morte da América racista e assinala o fim da América arrogante. Para Thomas Friedman, colunista do jornal The New York Times, a sua eleição marca o fim de 147 anos de guerra civil. 

A sua irresistível ascensão pode ser narrada como um conto de fadas. Passado o sonho, seguem-se a cruel prova da realidade e a previsível era das decepções, na América e fora dela.

 

Antes de mais, é útil interrogar o fenómeno, pela sua dimensão universal e pela sua dinâmica americana.
Quanto aos sarilhos, Obama já preveniu no discurso de vitória: “No momento em que celebramos esta noite, sabemos que os desafios que amanhã afrontaremos serão os maiores da nossa vida – duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira num século.”
Desde que os EUA são uma superpotência, as suas eleições são seguidas com interesse, até paixão, porque tocam os interesses de todos ou se revestem de um valor simbólico, como aconteceu com John Kennedy em 1960. No entanto, desta vez é diferente. Graças à crescente interdependência e às novas comunicações, europeus, asiáticos ou africanos envolveram-se na contenda e criaram as mais diversas expectativas em relação ao “seu” novo Presidente. Há a percepção de que pode mudar o mundo.
O poderio ou declínio da América, a arrogância imperial ou uma viragem internacionalista tocam todas as geografias. A popularidade de Obama é o reverso da impopularidade de Bush, que fez dos EUA a potência mais detestada do mundo.
Desde há meses que a mobilização das opiniões públicas levou à criação da figura de “eleição global”. A vitória de Obama surge como uma “injecção de soft power”, disse um analista. “Pela primeira vez os americanos têm uma rara oportunidade – a de eleger Presidente um homem cuja visão e cuja liderança são consideradas justas não só por muitos americanos como pela maioria do mundo”, escreveu o indiano Muqtedar Khan, teólogo islâmico e colaborador da Brookings Institution. “A epidemia mundial de antiamericanismo pode ser instantaneamente deflacionada e o mundo mudará a sua percepção da América.”
Os 27 da UE anteciparam-se à eleição enviando uma proposta de revisão das relações atlânticas. Os árabes esperam a resolução diplomática da crise do nuclear iraniano e uma saída airosa do Iraque. Muitos estrategos israelitas apostaram em Obama por o considerarem o mais capaz de travar o declínio da influência americana no mundo, a ameaça que mais temem. Todos sabem que o mundo mudou. E também mudou a América.
A que se deve a ascensão de Obama? Trivialmente pode dizer-se: os americanos (tal como o mundo) estavam cansados de George W. Bush. É um fenómeno longo: o impasse militar e a crise moral derivados da invasão do Iraque, o mal-estar social, o declínio do seu estatuto internacional, a crise financeira que culminou na explosão de Wall Street em 29 de Setembro e pôs em causa o modelo económico republicano são alguns dos passos mais evidentes. Entretanto, a “vaga conservadora” e a “grande aliança republicana” que dominavam desde Ronald Reagan já estavam esgotadas. E a América mudava sociologicamente, com a emergência de uma nova classe média, que terá sido um importante actor nestas eleições.
Obama foi o intérprete do mal-estar e das novidades sociais. Numa situação de crise profunda, os eleitores não escolhem um programa detalhado de governo: procuram um líder. Ele deu-lhes um desígnio. Por isso funcionaram o discurso da “mudança” e o apelo ao fim da “guerra cultural” que divide e crispa as “duas Américas” desde a guerra do Vietname. 
Para uns, é o Presidente mais à esquerda da história dos EUA, o “absolutamente azul”, o “social-democrata” que ineditamente forçou as portas da Casa Branca. Na recta final da campanha, Obama voltou ao tema da reconciliação e da mobilização da América, que lançou na convenção democrata de 2004, ainda não era senador federal. Quer manifestamente o apoio de republicanos. John McCain, no seu notável discurso da madrugada de ontem, deu-lhe um forte sinal de resposta.
Obama revolucionou as regras do jogo e está em posição de força perante o seu partido e os congressistas. Escrevia ontem o diário on-line Politico: “Obama é o Google da política: tem uma perícia tecnológica e uma audiência que os seus concorrentes políticos não podem desafiar.” 
Será, antes de mais, o Presidente dos EUA, mas quase todo o mundo indicou que é a América dele aquela que prefere, como aliada ou como rival.
Barack Hussein Obama é o primeiro Presidente negro dos EUA. Por isso se pode repetir, em registo de celebração, e já não de tragédia, o título do Monde no 11 de Setembro: “[Hoje], somos todos americanos.” Amanhã se verá. 

 

A história do homem que reescreveu o sonho americano

06.11.2008, Teresa de Sousa – Público 

 

Como é que Barack Obama chegou aqui? Que vidas viveu e que experiências sofreu? A extraordinária vida do homem que impressiona até os neocons

A figura esguia e elegante avançava em passo seguro pelos corredores do gigantesco e labiríntico Fleet Centre de Boston. Preparava-se para falar perante os delegados à convenção democrata que iria consagrar a candidatura de John Kerry às presidenciais de 2004. A escolha da personalidade que fazia o discurso político mais importante da convenção quase sempre recaíra sobre grandes figuras ou grandes esperanças do Partido Democrata. Era um momento alto. Um olhar para o futuro. A sua escolha fora quase por acaso. Kerry cruzara-se com o jovem candidato a senador do Illinois e ficara impressionado. Talvez fosse boa ideia dar-lhe uma oportunidade. Era uma estrela em franca ascensão em Chicago. Começava a chamar a atenção da grande imprensa nacional. Era jovem. E era negro. 

A pequena e coesa equipa de Barack Obama estava nervosa. Era a oportunidade de uma vida. E também um grande risco. Torceram o nariz quando disse que escreveria ele próprio o discurso. Pediu apenas que lhe arranjassem uma intervenção anterior de Mário Cuomo, um dos oradores mais brilhantes de sempre do Partido Democrata. Iria partir das coisas simples com as quais tinha construído a sua carreira em Chicago e tentar testá-las a nível nacional. A ideia da ponte. Entre brancos e negros. Entre estados vermelhos e azuis, liberais e conservadores. Para voltar a reunir a América.
David Mendell, o jornalista que o Chicago Tribune tinha destacado para acompanhar todos os minutos da vida da nova estrela ascendente do Illinois, estava com ele quando chegou ao Fleet Centre. Pouca gente parou para o cumprimentar. “Para aqueles que conheciam bem Barack Obama, isto até podia parecer quase impossível, mas o seu andar seguro era ainda mais altivo do que o habitual, naquela tarde de 27 de Julho de 2004”, escreve na biografia Do Desejo ao Poder. “Antigo jogador de basquetebol, ele inclinava a parte superior do tronco como se avançasse para a linha de marcação para executar a jogada que iria decidir a vitória.” Emanava autoconfiança. E tranquilidade. 
Nessa noite Barack Hussein Obama apresentou-se à América. Com a sua voz firme de barítono forte, contou a história extraordinária da sua vida e, a partir dela, a sua própria visão sobre o futuro da América. Em breve, o gigantesco pavilhão era seu. Subjugado pela sua cadência, pela sua voz e pela força das suas palavras. A mensagem que o levaria à Casa Branca já lá estava.
“Não existe uma América liberal ou uma América conservadora – existem os Estados Unidos da América. Não existe uma América negra e uma América branca e uma América latina e uma América asiática – existem os Estados Unidos da América. Adoramos o mesmo Deus todo-poderoso nos estados vermelhos e nos estados azuis. (….) Não gostamos que os agentes federais andem a meter o nariz nas nossas vidas nos estados azuis e temos amigos gay nos estados vermelhos. Nós somos um povo…” 
Mendell percorreu a multidão com o olhar à procura do efeito que já vira acontecer em Chicago. “Gente de vários estados, de vários estratos sociais, de várias raças, eram muitos os que tinham lágrimas nos olhos.”
Três anos depois do 11 de Setembro, a América ainda não percebia até que ponto estava dividida. Iria começar a percebê-lo em breve. Ainda tinha medo. Iria começar a ter esperança. E passava a ter um intérprete para a mudança.
A lenda do jovem negro de nome improvável, filho de uma mãe branca do Kansas e de pai negro do Quénia que o destino cruzou no Havai, começou nessa noite. Rompendo as fronteiras do Illinois para partir à conquista da América. Tornou-se na coqueluche da grande imprensa de Washington. Não mais saiu das luzes da ribalta. Haveria de transformar as eleições presidenciais de 2008 num acontecimento global. Pôs a América a sonhar e o mundo a sonhar. Com um slogan: “Yes, we can!” E uma ideia: reunificar uma nação dividida. Acrescentou um capítulo à história do sonho americano.
No lugar de Robert Kennedy 
Dois anos depois, longe de Boston, perante uma multidão branca, o senador democrata Tom Harkin confessava: “Para vos dizer a verdade, eu bem tentei contratar o Bono para a nossa grande festa deste fim-de-semana. Tive de me contentar com a segunda maior estrela rock da América.” Antes mesmo que chegasse ao palco, foi o delírio. Em Setembro de 2006, o “fenómeno Obama” já chegara ao Iowa, o lugar distante e gélido do interior onde, a 3 de Janeiro de 2008, receberia o impulso final que o levou à Casa Branca.
“No âmago deste fenómeno está a sua personalidade e a sua presença – um misto de pregador, de professor, de estrela de cinema. O seu carisma parece uma segunda pele, o seu charme a coisa mais natural do mundo. A questão que agora se coloca é saber até onde ‘isto’ vai poder levá-lo”, escreveu na altura o jornalista Garret Graff.
A pergunta passou a ser: ele vai candidatar-se em 2008?
Em dois anos, o senador júnior do Illinois, que costumava dizer que ainda não tinha passado da fase de afiar os lápis dos seus colegas do Senado, tinha garantido uma projecção mediática sem paralelo. Não tanto pelas leis que ajudara a elaborar no Congresso, mas porque a imprensa o considerava material de primeira. “Senador Obama, qual é o seu lugar na História?”, fora a primeira pergunta da primeira conferência de imprensa que deu em Washington.
Por ele, escolhera mais modestamente o lugar onde se sentara antes o jovem senador Robert Kennedy. Nas paredes do seu pequeno gabinete do sétimo andar, dispôs as suas referências. Abraham Lincoln e JFK, Martin Luther King, Mandela e Gandhi, e uma inesperada fotografia de Mouhamed Ali em posição de combate.
Definiu com um rigor matemático os objectivos para os primeiros dois anos no Senado. Permanecer um senador modesto e diligente. Explicar em cada oportunidade que surgisse a sua ideia de uma nova América. Testar a fórmula que lhe dera 70 por cento dos votos na dura e violenta Chicago – juntar os votos negros do South Side com os votos brancos do Hyde Park liberal e partir à conquista do resto.
A tragédia de Nova Orleães à passagem do furação Katrina, em 2005, permitiu-lhe fazer a distinção sobre a forma como via a questão racial. “Não foi um problema de raça, foi sobretudo um problema de pobreza.” O referendo Jesse Jackson, duas vezes candidato presidencial nos anos 1980, dissera no mesmo dia que estavam de volta os barcos negreiros do Luisiana.
Alguns analistas pensaram que ele iria alienar o voto negro. A jornalista Laura Washington chegou a escrever: “Como político, o seu carácter tem um defeito trágico: pode ser demasiado inteligente, demasiado reservado, demasiado elitista para a população negra.”
Em Março de 2008, quando as declarações inflamadas do seu conselheiro espiritual, o pastor negro Jeremiah Wrigt, desencadearam a maior polémica que envolveu a sua campanha, disse as palavras definitivas. “Não posso renegá-lo mais do que poderia renegar a minha avó, uma mulher que me criou, que se sacrificou uma e outra vez por mim, uma mulher que me ama mais do que a qualquer outra coisa no mundo, mas uma mulher que uma vez confessou o seu medo dos negros com quem se cruzava na rua…”
Discurso da Cidade do Cabo 
Em Agosto de 2006, partiu para África integrado numa missão do Congresso, seguido por um batalhão de jornalistas. Havia o precedente de duas viagens histórias de Bill Clinton e de Bob Kennedy. A loucura que a sua presença desencadeou em cada escala ultrapassou tudo o que tinham previsto. Deixou-se fotografar através das grades da cela de Nelson Mandela. Abraçou a sua avó paterna numa aldeia perdida do Quénia. Falou do terrorismo em Djibuti e da sida no Quénia. Escolheu a Cidade do Cabo para apresentar pela primeira vez a sua visão do mundo: “Uma segurança comum para uma humanidade comum.” Começou por falar da tragédia de Darfur e do desastre no Iraque. “Era sombrio o discurso que tinha para vos fazer. Mas depois pensei que, se um negro de ascendência africana pode regressar à terra natal dos seus antepassados como senador dos Estados Unidos da América, pode falar a uma multidão de sul-africanos negros e brancos que partilham a mesma liberdade e os mesmos direitos, então, pensei, as coisas podem mesmo mudar.”
Ainda afastou com um gesto a sugestão do bispo Desmond Tutu de que ele “ia ser um excelente candidato presidencial”. Regressou a Washington e começou a pensar a sério nessa possibilidade.
Tinha estado sob intenso escrutínio político e as coisas tinham corrido bem. A imprensa adorava escrever a sua história. Nenhum talk show o dispensava. Newtin Minow, antigo conselheiro de JFK e de Adlai Stevenson, cruzou-se com ele e disse-lhe: “Vi o John Kennedy e agora vi-o a si. E nunca vi nada parecido pelo meio.” 
Estava criado o mito. Obama era tudo aquilo que cada um queria ver nele e mais ainda.
Na altura, a impressão que causava era tão forte que pouca gente terá parado para pensar sobre aquilo que realmente dizia.
Michael Tomasky, o colunista do Guardian em Washington, escreve na New York Review of Books: “Atenção, que ele visa mais alto, nos seus discursos, do que a habitual lista da lavandaria dos democratas: a saúde, o emprego, Roe vs Wade e o resto. O seu tema é a cultura cívica que todos partilhamos e que pensa que está sob ameaça, mais da direita, mas também da esquerda.” Obama acabava de lançar o seu segundo livro, The Audacity of Hope. Tomasky acrescenta sobre ele: “O tema do livro não é como os democratas podem ganhar, é sobre como podemos dar início ao processo de mudar a nossa forma de fazer política e a nossa vida cívica como nação.”
Obama tinha mesmo uma ideia para a América. E mais qualquer coisa: uma determinação férrea, uma ilimitada confiança em si próprio, um autocontrolo absoluto e uma inteligência fora de série.
“Uma mente superior e um temperamento superior”, reconheceu o colunista mais neocon do Washington Post, Charles Krauthammer. 
Os demónios e a redenção
Como é que chegou aqui? Que vidas viveu e que experiências sofreu? A chave pode ser encontrada na autobiografia que decidiu escrever quando tinha 33 anos. Há o antes e há o depois.
Há uma vida vivida muito depressa e com uma enorme intensidade interior, que só terminaria no dia em que consegue chorar pela primeira vez a morte do seu pai, diante da sua campa no Quénia. Que passa pelas ruas sujas e caóticas de Jacarta e pelos bairros mais pobres e violentos de Chicago. Que atravessa os dias tumultuosos e rebeldes do Ocidental College de Los Angeles, quando quis afirmar a sua negritude através da droga, da marginalidade e da voz rouca de Billie Holiday. Que se detém dois anos solitários e soturnos num modesto apartamento de Nova Iorque, na fronteira do Harlem, enquanto frequenta a Universidade de Colúmbia. Que o leva até à elitista Harvard, faz dele o primeiro Presidente negro da mais prestigiada revista jurídica da América, a Harvard Law Review. 
Que se aguenta, periclitante, graças às suas raízes. A imagem idealizada de um pai queniano sempre ausente, que chegou a imaginar um príncipe africano. A referência de uma mãe inconformista, bondosa e liberal, sempre em demanda do mundo. A certeza dos avós maternos, que nasceram nas terras conservadoras do Kansas, que percorreram a América à procura de uma vida melhor e que venceram todos os seus preconceitos para o criar com o máximo de amor possível.
Nas páginas intensas e extraordinariamente bem escritas da sua autobiografia Dreams of My Father, Barry-Barack conta a sua atormentada demanda em busca de uma identidade. Branca ou negra? Rica ou pobre?
Foi no trabalho comunitário nos bairros negros de Chicago (1985-88) que começou a perceber a armadilha da vitimização. Em Jacarta, onde viveu dos 6 aos 10 anos, viu a América de fora. Não das moradias dos funcionários americanos da embaixada onde a mãe trabalhava, mas na casa modesta de um bairro modesto do seu padrasto indonésio, na escola pública ou nas lutas da rua com os rapazes do bairro. Descobriu velhos retratos envelhecidos de JFK ainda pendurados nas paredes de escolas longínquas e pressentiu o lado mais cínico da América, ao ouvir as conversas em voz baixa sobre o golpe que derrubou Sukharno. Meio milhão de mortos. 
E há o depois.
Foi um dos mais brilhantes alunos de Harvard. Maioritariamente branca e liberal. Rejeitou as ofertas principescas das grandes firmas de advogados. Regressou a Chicago (1991) para trabalhar num pequeno escritório dedicado aos direitos cívicos das minorias. Apaixonou-se por Michelle LaVaughn Robinson, uma negra formada em Princeton e em Harvard com uma personalidade forte e os pés bem assentes na terra. Deu aulas de Direito Constitucional na Universidade. E, calmamente, planeou a sua carreira política. Afastados os seus demónios, chegara finalmente a hora da redenção. 
Era o momento. O desafio de uma geração.
“As vitórias da geração de 60 trouxeram a plena cidadania para as mulheres e as minorias, o reforço das liberdades individuais e a vontade de questionar a autoridade – fizeram da América um lugar melhor. Mas o que foi perdido no processo e tem de ser encontrado são as convicções partilhadas – esse sentimento de confiança mútua e fraternidade que faz de nós todos americanos.” 

 

 

Quem levou o primeiro Presidente negro à Casa Branca?

06.11.2008, Francisca Gorjão Henriques – Público 

Barack Obama conseguiu atrair os eleitores dos dois extremos da estratificação social. Foi uma novidade para o Partido Democrata

Não são apenas jovens, não são apenas pobres, nem só negros, nem só mulheres. Não há um eleitor-tipo de Barack Obama. Mas há uma conclusão a tirar: a economia pesou. Muito. 

“A força que impulsionou Obama é clara”, explicava ontem o jornal Los Angeles Times: “Uma economia em crise que passou de tremida na Primavera e Verão, a assustadora no Inverno”. Peter A. Brown, director do Instituto de Sondagens da Quinnipiac University, resume assim a eleição: “A questão importante não foi negro, nem branco, mas verde. Ou seja, quem era o melhor para lidar com a economia?”
A sondagem National Election Exit Poll feita à boca das urnas é esclarecedora. Para 62 por cento dos eleitores, esta é a questão mais séria que o país enfrenta. Muito depois, com dez por cento, aparece o Iraque, nove por cento o terrorismo, o mesmo que o sistema de saúde. Os que consideram que a economia está em pior estado são aqueles que mais apoiaram Obama.
Entre os eleitores que votaram democrata, há um grupo que despertou a atenção dos analistas: as pessoas com rendimentos superiores a 200 mil dólares anuais. Entre estes, 52 por cento escolheram precisamente o candidato que prometeu aumentar-lhes os impostos. 
“O primeiro dado interessante é a relação entre o rendimento e o voto”, comentou ao PÚBLICO Pedro Magalhães, especialista em sondagens do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. “Continua a tendência antiga de as pessoas com maiores rendimentos votarem republicano, e as de menores democrata. Mas nestas eleições, Obama teve uma óptima prestação nos níveis mais elevados”.
E não só: entre os eleitores que ganham menos de 15 mil dólares por ano, o candidato democrata reuniu 73 por cento dos votos. Já os que ganham entre 50 mil e 75 mil, e entre os 100 mil e os 200 mil, preferiram John McCain (48 por cento votou no democrata). Ou seja, “Obama portou-se bem nos dois extremos da estratificação social”. A explicação é que as pessoas com rendimentos mais elevados são “as das classes mais altas e mais instruídas, que rejeitam as posições anti–intelectuais do Partido Republicano, que tiveram mais projecção com [o Presidente George W.] Bush”. 
Há ainda outra razão: estas são também as que “foram mais afectadas pela crise financeira, que viram o valor dos seus planos de pensões o e das suas casas baixar”. Não se assustaram com a previsão de um aumento dos impostos projectada por Obama para quem ganha mais de 250 mil dólares anuais, porque “a ideia de que as desigualdades estão a aumentar e de que as empresas estão a ter lucros demasiado elevados acentuou-se nos últimos oito anos”.
Outro dado importante, “mas previsível”: o voto jovem. Entre os que votaram pela primeira vez, 71 por cento apostou em Obama (e 66 por cento de todos os eleitores com menos de 30 anos). “A incapacidade de os republicanos atraírem os jovens nunca foi tão grande. O eleitorado está muito longe das suas posições conservadoras”, adianta. E “quem o levou pela mão até às urnas foi a máquina democrata”.
A raça não contou
A previsibilidade era ainda maior para o voto negro: apenas quatro por cento votaram McCain, contra os 95 por cento que apoiaram Obama. O Partido Democrata também teve o seu melhor resultado de sempre entre o eleitorado hispânico (66 por cento), consolidou o asiático (64 por cento), conseguiu quase metade dos votos independentes brancos (tradicionalmente mais republicanos) e ultrapassou a habitual vantagem republicana entre as mulheres (56 por cento). 
Os americanos brancos também foram fundamentais para eleger o primeiro Presidente negro da história dos EUA, destaca o LA Times. Não é que Barack Obama tenha captado entre este grupo mais eleitores do que John McCain, o que não aconteceu – o Presidente eleito conseguiu 43 por cento, enquanto o seu rival atingiu os 55 por cento. Desde 1964, com Lyndon Johnson, que nenhum democrata consegue a maioria dos votos deste grupo. Mas Obama saiu-se aqui tão bem como os três anteriores candidatos democratas à Casa Branca, e até melhor do que John Kerry, em 2004 (mesmo nas localidades mais pequenas, onde parecia haver mais resistência ao candidato negro). 
De resto, acrescenta o diário, Obama melhorou os resultados democratas em todos os grupos, excepto num: o eleitorado mais velho, que escolheu mais expressivamente McCain.
Se estes eleitores que depositaram a sua confiança em Obama serão ou não fiéis ao Partido Democrata no futuro, é uma incógnita. “É o que faz a diferença entre o realinhamento eleitoral e uma eleição que é uma reacção de curto ou médio prazo”, comenta Pedro Magalhães, que aposta no último caso. “Por exemplo, os eleitores com rendimentos mais altos reagiram a condições económicas. Não é garantido que continuem a votar democrata. Mas, ressalva, há um legado que vai ficar: “Os mais jovens, que foram recenseados agora, vão continuar a votar democrata”. 
52% dos eleitores que ganham mais de 200 mil dólares apostaram no candidato que prometeu aumentar-lhes os impostos .

 

 

John McCain
“Dou a minha bênção ao meu ex-adversário e meu futuro Presidente”

06.11.2008 

Chegámos ao fim de uma longa viagem. O povo americano pronunciou-se e de forma bem clara. Tive a honra de telefonar ao senador Barack Obama para o felicitar por ter sido eleito o próximo Presidente do país que ambos amamos. O seu sucesso merece o meu respeito pela sua capacidade e perseverança. O facto de o ter conseguido, ressuscitando as esperanças de milhões de americanos, que um dia acreditaram – erradamente – que tinham pouco ou nada a arriscar e nenhuma influência na eleição de um Presidente americano, é algo que admiro profundamente.

Esta é uma eleição histórica e reconheço o especial significado que tem para os afro-americanos e o orgulho que devem sentir esta noite. Sempre acreditei que a América oferece oportunidades a todos aqueles que tenham a diligência e a vontade para as agarrar. O senador Obama também o crê. Apesar de termos feito um longo caminho desde as velhas injustiças, que um dia mancharam a reputação desta nação, essas memórias ainda são feridas poderosas. A América de hoje está a quilómetros de distância do fanatismo cruel e aterrador de outros tempos e não há melhor prova disso que a eleição de um afro-americano para a presidência dos EUA. 
O senador Obama alcançou um feito incrível. Aplaudo-o por isso e transmito-lhe o meu sincero pesar pelo facto de a sua adorada avó não ter podido presenciar este dia. Tivemos as nossas diferenças, e ele venceu. Não há dúvidas de que muitas dessas diferenças persistem. Estes são tempos difíceis para o nosso país. E eu comprometo-me aqui a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para o ajudar a conduzir-nos através dos desafios que enfrentamos. Apelo a todos os que me apoiaram para que não só o felicitem, mas lhe transmitam também a nossa boa vontade e disposição para um esforço sincero para ultrapassar as diferenças e restabelecer a prosperidade, defender a nossa segurança num mundo perigoso e deixar às nossas crianças um país melhor do que aquele que herdámos. Apesar das diferenças, somos concidadãos. E acreditem que tal nunca significou tanto para mim como agora.
É natural que hoje se sintam desapontados, mas amanhã teremos de ultrapassar isso e trabalhar juntos para pôr o nosso país a mexer outra vez. Nós lutámos o máximo que podíamos. E, apesar de termos ficado aquém, o fracasso é meu, não vosso. Foi um caminho difícil, mas o vosso apoio e amizade nunca vacilaram. Não tenho palavras para expressar o quanto estou em dívida para convosco. Estou especialmente agradecido à minha mulher e a toda a minha família. E aos muitos amigos que estiveram sempre do meu lado. Sempre fui um homem com sorte, e nunca tanto como agora, por todo o amor e encorajamento que me deram. Tudo o que posso oferecer em compensação é o meu amor e gratidão e a promessa de anos vindouros mais pacíficos.
Estou também – claro – muito agradecido à governadora Sarah Palin, uma das melhores militantes que alguma vez vi e uma nova voz impressionante no nosso partido. Podemos todos aguardar com grande interesse o seu futuro político. A todos os colegas de campanha e a cada um dos voluntários que tão firme e corajosamente lutaram, no que foi a campanha mais disputada dos tempos modernos, muito obrigado. Eu não sei o que mais poderíamos ter feito para ganhar esta eleição. Todos cometem erros, e tenho a certeza que também os cometi, mas não desperdiçarei um momento do futuro a lamentá-los. 
Esta campanha foi e será uma grande honra na minha vida, e agradeço por me terem escutado, antes de decidir que o senador Obama e o meu velho amigo senador Joe Biden, devem ter a honra de nos liderar nos próximos quatro anos. Não seria um americano digno desse nome se lamentasse o extraordinário privilégio de servir este país durante meio século. Hoje, fui candidato ao seu mais alto cargo e esta noite continuo a ser seu servo. Agradeço ao povo do Arizona por isso. Guardo no coração o amor por todos os cidadãos deste país, independentemente de quem apoiaram. Dou a minha bênção ao meu ex-adversário e meu futuro Presidente. E apelo a todos os americanos para não desesperarem ante as dificuldades, para acreditarem, sempre, na promessa e grandeza da América, porque aqui nada é inevitável. Os americanos nunca desistem. Os americanos nunca se rendem. Nós nunca nos escondemos da história. Nós fazemos história. Deus vos abençoe. Deus abençoe a América. Obrigado a todos. 

 

 

O blog Casa Branca do jornalista Germano Almeida, tem como header:

O BLOGUE QUE VAI CONTAR TUDO SOBRE OS ANOS OBAMA

(E QUE LHE EXPLICA COMO É QUE ‘SIM, ELE CONSEGUIU’)

Vamos ver se aguenta o primeiro round 🙂

 

Os 44 presidentes da história dos Estados Unidos da América



youchoose

As Presidenciais Americanas no Youtube

 

O Globo

Obrigado. Que Deus vos abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.

  • Super Terça-Feira Perfil dos Candidatos e posicionamento na Sondagem Nacional de 20080203. Retirado do ITD

    Democratas:

    Hillary Rodham Clinton – 46 Barack Obama – 38

    Republicanos:

    John McCain – 42 Mike Huckabee – 22 Mitt Romney – 20 Mais alguns links úteis em pt para acompanhar a Super Terça-Feira Público online: Dossier Especial + Infografia + Blog Blog IOL Blog de Nuno Gouveia

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