Mais conteúdo e menos forma?



Há quinze anos, mais coisa menos coisa, que sou leitor da GRANDE REPORTAGEM.

Durante cerca de uma década, convivi com os editoriais de Miguel SousaTavares, intratável homem de causas.

Mais recentemente, Francisco José Viegas, num estilo menos comprometido com a linha seguida até ao início deste século, com sensibilidade própria refrescou a revista, adaptando-a a um novo tempo.

Apesar do formato actual, ao qual ainda não me consegui habituar, tenho continuado a acompanhar com interesse.

Nova mudança! Que a chegada de Joaquim Vieira, que traz consigo a Felícia Fabrita, mantenha o espírito da GRANDE REPORTAGEM.

Espero!

O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.

O que há é pouca gente para dar por isso.

óóóó—óóóóóó óóó—óóóóóóó óóóóóóóó

( O Vento lá fora.)

Álvaro de Campos, 15-1-1928

O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.

O que há é pouca gente para dar por isso.

óóóó—óóóóóó óóó—óóóóóóó óóóóóóóó

( O Vento lá fora.)

Álvaro de Campos, 15-1-1928

O Céu dos Homens do Mar na Época das Descobertas



Astrolábio usado para calcular as posições dos astros no céu.

“Água é vida”.

Este lugar-comum, repetido vezes sem conta, é pleno de significado.

Foi no mar que teve origem a vida na Terra, podendo-se afirmar que em última análise todos os entes vivos têm antepassados remotos que viveram na água.

Todos os seres vivos necessitam de água para sobreviver.

As grandes civilizações da Antiguidade desenvolveram-se junto de grandes rios que irrigavam e fertilizavam os campos onde se praticava a agricultura.

Sendo a água tão importante para a Humanidade não é de estranhar que desde tempos imemoriais os espaços aquáticos tenham sido usados como vias de comunicação.

Para conduzir as embarcações torna-se necessário dispor de marcas que permitam conhecer a posição. Durante séculos a navegação era feita essencialmente com terra à vista, de modo a ser sempre conhecida a posição do navio.

Embora as viagens fossem geralmente à vista de terra, acontecia muitas vezes que os navios se afastavam, pelos mais diversos motivos, perdendo então essas referências que lhes forneciam informações sobre onde se encontravam e para onde se poderiam dirigir.

Perdidos esses sinais de terra firme, esses homens socorriam-se então de outros sinais: características dos ventos, cor das águas, plantas aquáticas, etc.

Além destes sinais, existem umas marcas no céu, os astros, que podem ser usadas para fornecer diversas informações a quem conheça o seu comportamento.

Até à Idade Média, a bússola era desconhecida.

Com a difusão, junto dos marinheiros, deste instrumento passou a ser possível aumentar cada vez mais as distâncias percorridas no mar e os tempos de navegação sem terra à vista, uma vez que passou a existir uma maneira de saber a direcção em que os navios se dirigiam.

Os pilotos passaram a saber a sua posição no mar, observando simplesmente as direcções em que o navio tinha navegado e estimando as distâncias percorridas, desde a última posição que tinham observado junto à costa.

Este método de navegação ficou conhecido, entre os historiadores da Náutica, pelo nome de método de rumo e estima.

No entanto, conforme as distâncias percorridas, sem avistar terra, se tornavam cada vez maiores, os erros acumulados no percurso cresciam, devido a vários factores: correntes, irregularidades dos instrumentos, avaliação incorrecta das distâncias percorridas…

Tornou-se então necessário “descobrir” novas formas de conhecer a posição dos navios, no alto-mar, com um maior rigor.

A solução passou pelo uso de astros, em determinadas condições, para conhecer as coordenadas geográficas do local em que o navegante se encontrava.

Os portugueses foram pioneiros no desenvolvimento de processos para conhecimento de uma das coordenadas geográficas: a latitude.

Quanto à longitude, a sua determinação é bastante mais complexa, aparecendo soluções práticas para este problema apenas no século XVIII, sendo os Ingleses pioneiros neste processo.

Por outro lado, era também possível, pelo menos desde a Idade Média, conhecer as horas, durante a noite, pela observação do movimento da Estrela Polar.

Foram desenvolvidos diversos instrumentos, e tabelas, que permitiam, em função da época do ano, saber as horas pela posição relativa da Estrela Polar e de outra estrela da Ursa Menor, a Kochab.



M27, a Dumbbell Nebula (Nebulosa dos Halteres).

Em termos do tamanho projectado no céu, é a maior das nebulosas planetárias, medindo 16 minutos de arco.

A cor verde representa a linha de emissão de átomos de oxigénio duas vezes ionizado ([OIII]) e o vermelho indica aquela dos átomos de nitrogénio uma vez ionizado ([NII]) e do hidrogénio (Hα).

Esta imagem foi obtida com o telescópio de 0.82m IAC80 (situado no Observatorio del Teide).

Crédito: The IAC Morphological Catalog of Northern Galactic Planetary Nebulae (Manchado et al. 1996).



M27, a Dumbbell Nebula (Nebulosa dos Halteres).

Em termos do tamanho projectado no céu, é a maior das nebulosas planetárias, medindo 16 minutos de arco.

A cor verde representa a linha de emissão de átomos de oxigénio duas vezes ionizado ([OIII]) e o vermelho indica aquela dos átomos de nitrogénio uma vez ionizado ([NII]) e do hidrogénio (Hα).

Esta imagem foi obtida com o telescópio de 0.82m IAC80 (situado no Observatorio del Teide).

Crédito: The IAC Morphological Catalog of Northern Galactic Planetary Nebulae (Manchado et al. 1996).

Nebulosas Planetárias: O Belo em Detalhe



Foi num artigo publicado em 1785, por Willian Herschel, autor de famosos catálogos de nebulosas planetárias e aglomerados estelares, que as nebulosas planetárias foram assim classificadas pela primeira vez.

O nome surgiu porque o seu aspecto recordava os discos esverdeados de alguns planetas e por apresentarem características observacionais distintas dos demais objectos que estudava.

Porém, estas não são, em absoluto, planetas nem mesmo nebulosas jovens em processo de condensação para a formação de novas estrelas…

Hoje em dia sabemos que estrelas do tipo solar, no final das suas vidas, libertam as suas camadas mais externas que, pouco a pouco, se expandem e diluem até se confundirem com o meio interestelar, enquanto o resto da estrela segue a sua evolução até se transformar numa anã branca, ou seja num “cadáver estelar”.

Enfim, apesar do nome que recebem, nebulosas planetárias representam a última fase da evolução da maioria das estrelas — e também do Sol, dentro de 4.500 milhões de anos.

%d bloggers like this: