Caem os sonhos um a um

e o sangue estremece.

Caem, e ficam no chão

De quem os morde e os esquece.

Farto de seiva, o dia amadurece.

Eugénio de Andrade – As mãos e os frutos

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Caem os sonhos um a um

e o sangue estremece.

Caem, e ficam no chão

De quem os morde e os esquece.

Farto de seiva, o dia amadurece.

Eugénio de Andrade – As mãos e os frutos

Ainda há gente boa!

Haitianos não identificados levam champanhe oferecido por Jonas Petit, porta-voz do Presidente Jean Bertrand Aristide que partiu para umas férias!

Por outro lado, cerca de 80% da população vive abaixo do limiar de pobreza miserável.

Quase 70% dos haitianos dependem da agricultura de pequena escala.

A seguir às eleições de Maio de 2000, os amigos americanos suspenderam a ajuda económica (vá-se lá saber porquê), o que levou a que o país chegasse ao descalabro a que agora assistimos.

O Haiti precisa urgentemente de 500 milhões de dólares!

Os americanos, em parceria com os franceses, vão ajudar!

Na ressaca dos Óscares

Ocorre-me acrescentar ao que o disse o Barnabé, que, não fôra O Senhor dos Anéis estar a concurso, o Mystic River “limpava” os óscares de Melhor Filme e de Melhor Realizador!

Concedo que, pela colossal obra do Peter Jackson, se tenha premiado a trilogia, mas,

esta cerimónia é anual, portanto…!

Apreciei particularmente a intervenção do Tim Robbins, que, pela visibilidade que tem uma ocasião destas, deixou uma mensagem de solidariedade para com as pessoas vítimas de abusos sexuais ( não podia ser mais oportuno)!

Em Noite de Óscares…



Burt Glinn, Magnum – Nova Iorque,1950

Joe FERRER beija Gloria SWANSON durante a Cerimónia de Entrega dos Óscares, que estava a ser transmitida pela rádio a partir de Hollywood.

Swanson, nomeada por “Sunset Boulevard” perdeu.

Ferrer ganhou um Óscar por “Stalag 17.”

«Mensagem» de Fernando Pessoa

2º Parte – Mar Português
POSSESSIO MARIS

I – O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

II – HORIZONTE
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
‘Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa –
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp’rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte –
Os beijos merecidos da Verdade.

III – PADRÃO
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

IV – O MOSTRENGO
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«EI-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«EI-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Imagem do Dia: Vale Kasei

Esta imagem do denominado vale Kasei foi obtida pela câmara de alta-resolução da sonda Mars Express que se encontra, neste momento, a orbitar o planeta Marte.

Obtida a partir de uma altitude de 272 km, esta imagem cobre cerca de 130 km de largura.

Nela são visíveis rastos de sedimentos, em tons escuros na imagem, provavelmente deixados para trás devido a glaciares ou a fluxos de água ocorridos há muitos anos atrás.

Os traços claros visíveis na direcção Nordeste-Sudoeste (Norte é em cima) são devidos a ventos.

Esta imagem tem um interesse particular devido aos inúmeros detalhes que apresenta acerca da história da erosão na superfície marciana.

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