Archive for the ‘ Um Reino Maravilhoso ’ Category

gota a gota, no culto do vinho


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É a solução para a rega das vinhas, em anos de seca como este. Com a produtividade mais baixa dos últimos cinco anos, as vindimas estão a dar boa fruta, com muita côr, concentrada – certamente teremos grandes vinhos (dificilmente excepcionais, como em 2004) – mas em quantidade insuficiente para assegurar a sustentabilidade de muitas quintas, que passam por alguma aflição.
Esperemos que, apesar das dificuldades, não caiam na tentação de trazer mosto de Espanha para aumentar a produção!
Protejam as nossas uvas, se faz favor. A perda de qualidade seria uma pena!


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Nesta curva – onde o Côa encontra o Douro – existe uma ponte ferroviária seguida de um apeadeiro, desactivado há alguns anos.
É para este local de excepção que está projectado o futuro Museu Arqueológico do Vale do Côa, disse-nos a guia quando fizemos o percurso da Penascosa, com temperaturas superiores a 40 graus!

Vale encantado II

Após meia-hora de carro por uma estrada sinuosa, ladeada de amendoeiras, chegar a este lugar sem saída e ter este rio e estas montanhas só para mim, constituem o maior prazer solitário destes tórridos dias de verão.
Do verão inteiro, melhor dizendo.
A água fresca e calma do Douro, o silêncio absoluto, adiam a vontade de fazer o caminho de regresso..


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Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

Vale encantado

Aqui, nas encostas de Vila Nova de Foz-Côa até ao Pocinho, nas margens do Douro, não há vestígios de incêndios.
Não tenho tido oportunidade de ver muitas paisagens assim este verão – nem no Minho!


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Mas há sinais muito claros de seca.. como há muito tempo as pessoas não se lembram. Sem sinais de chuva há mais de um ano, não há colheita que resista!
Salva-se a apanha da amêndoa, pois as vinhas, sempre carregadas de trincadeira, estão reduzidas ao que os pássaros deixaram. A uva, muito pequena e dôce como mel, assegura graduação no vinho, mas é consensual que a produção será reduzida.


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Estes caminhos de pedra de xisto ladeado de vinhedo são um suplemento de alma.
As elevadas temperaturas, a rondar os quarenta graus, aconselham passadas pequenas, o que ajuda a saborear melhor o passeio pela encosta íngreme..


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Já estou com saudades..

Em nome do pai!

A vida é feita de nadas:

De grandes serras paradas

À espera de movimento;

De searas onduladas

Pelo vento;

De casas de moradia

Caídas e com sinais

De ninhos que outrora havia

Nos beirais;

De poeira;

De sombra de uma figueira;

De ver esta maravilha:

Meu pai a erguer uma videira

Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

Se meu pai fosse vivo, hoje faria 75 anos.

Agora descansa nas tranquilas encostas do Douro, de que meu avô falava com uma enorme paixão!

Terras de ferozes disputas entre miguelistas e liberais.

Farei por beber um Porto em memória de ambos!

Origens – I

Vila Nova de Foz-Côa



Há cerca de vinte mil anos, o homem desceu os vales do Côa e do Douro pescando e caçando para sobreviver, e, gravando com sílex os painéis do rijo xisto de ambas as margens.



Mais recentemente, na segunda metade do século XX, acompanhado pelos primos, descia da vila e pisava, quem sabe, as mesmas pedras que o homem do paleolítico..

Saíamos de manhã.

O trajecto até ao rio que nos esperava lá em baixo, era percorrido aos saltos entre amendoeiras, figueiras e vinhedos das encostas do Douro, que nos alimentavam o corpo e as brincadeiras.



Por volta da hora do almoço já estávamos a tomar banho na margem esquerda do rio.

Por várias vezes fomos arrastados pelas fortes correntes, indo normalmente parar à retorta, uma curva providencial que desdenhava, fruto da imaturidade da adolescência!

Os primos diziam que a Senhora da Veiga, que ainda lá está na capela perto da margem, nos protegia.

Se a família soubesse..



A Igreja Matriz de Foz Côa, onde casaram os meus pais, é Monumento Nacional e tem o seu maior valor no desenho do alçado frontal, do período gótico- manuelino.

No pórtico existem duas esferas armilares, encimadas uma, pela Cruz de Cristo e outra pela Flor-de-Lis. Dois escudos com as armas reais ladeiam o nicho onde se alberga uma imagem de Nª. Srª. da Piedade, ou do Pranto, de calcário do séc. XVI.

A capela-Mór da Igreja Matriz é uma obra riquíssima em talha, em pintura e em escultura. Do lado norte do sacrário, está a imagem da Padroeira da Paróquia, Nª. Srª. do Pranto. É a Pietá, imagem do séc. XVII. Nas paredes laterais da capela-Mór encontram-se várias pinturas a óleo sobre madeira, da autoria de artistas da Escola de Grão Vasco.

Vila Nova de Foz-Côa teve três forais.

O primeiro e o segundo, dados por D. Dinis, fundador e povoador da localidade, a 21 de Maio de 1299 e a 24 de Julho de 1314, respectivamente.

O terceiro foi dado por D. Manuel a 16 de Junho de 1514.

D. João I elevou-a à categoria de vila.

D. Manuel mandou edificar a Igreja Matriz.

Por último Foz Côa é elevada a cidade em 12 de Julho de 1997



O Pelourinho, de granito do século XVI, está situado na Praça do Município.

Sustentado por quatro degraus, tem os bordos superiores do capitel ornados por cordões. O remate da cabeça é feito por um grupo de coruchéus, sobre os quais se erguem a esfera armilar e a flor-de-lis.

Plantou-me aqui e arrancou-me daqui.

E nunca mais as raízes me seguraram bem em nenhuma terra.

Miguel Torga

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