Agenda Cultural

De Amadeo a Paula Rego, 50 Anos de Arte Portuguesa (1910-1960)
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Encompassing the Globe – Portugal e o Mundo nos séculos XVI e XVII
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Exposição organizada pelo Sintra Museu de Arte Moderna Colecção Berardo, em Parceria com o Museu Bordalo Pinheiro de Lisboa e o Museu das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha.

Cerca de uma centena de peças de cerâmica, algumas raras, e desenhos de caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), da Colecção Berardo, estarão expostas a partir de 17 de Abril no Museu de Arte Moderna de Sintra.

Comissariada pelo historiador Rui Afonso Santos, a exposição “Rafael Bordalo Pinheiro – Da Caricatura à Cerâmica” está organizada em torno de um núcleo de 110 peças, entre elas algumas raridades de expressão naturalista e figurativa.
A Colecção Berardo possui um acervo significativo de cerâmica das Caldas da Rainha, que cobre desde o chamado “Período Arcaico” ao “Pós-Bordaliano”, conjunto que é agora mostrado ao público numa altura em que a histórica fábrica das Caldas da Rainha atravessa dificuldades financeiras.
De acordo com o Sintra Museu de Arte Moderna – Colecção Berardo, a exposição visa, por um lado, “tornar-se um apelo à salvaguarda patrimonial”, e, por outro, “permitir um olhar renovado sobre a própria condição artística e cultural portuguesa contemporâneas”.
Organizada em parceria com o Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, e a Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, a exposição apresenta o “génio artístico” de Rafael Bordalo Pinheiro, figura marcante da cultura portuguesa da segunda metade do século XIX.

Uma parte significativa das cerca de 110 peças de cerâmica é proveniente do espólio Emanuel Araújo, figura destacada da cultura contemporânea brasileira.
Outras peças presentes na exposição foram produzidas no final do século XIX e início do século XX por ceramistas das Caldas da Rainha como Manuel Cipriano Gomes, conhecido por “Mafra” (1830-1905).

Quando Rafael Bordalo Pinheiro se fixou nas Caldas da Rainha, em 1884, fundou com o seu irmão a Fábrica de Faiança das Caldas da Rainha, onde assumiu a direcção artística e chegou a fazer das Caldas da Rainha um centro de cerâmica reconhecido internacionalmente.
Artista empreendedor e multifacetado, Rafael Bordalo Pinheiro trilhou um percurso muito próprio, dedicando-se às artes gráficas, artes plásticas, ao desenho de objectos, decoração e à cerâmica, produzindo uma vasta obra que reflecte quase sempre de forma crítica o quotidiano cultural, político e social da época em que viveu.
No que diz respeito à obra gráfica, inovou com o desenho humorístico e o cartoon como expressão artística, retratando intelectuais, políticos e outras figuras típicas da sociedade da época.
Bordalo Pinheiro inspirou-se no próprio círculo de intelectuais e artistas que definiram a sua geração, nas personalidades dos diversos sectores de influência da sociedade oitocentista com quem privou, incluindo a própria Corte.
Via.

 

 

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A Galeria Filomena Soares expõe pela primeira vez uma individual de JOSÉ PEDRO CROFT, um dos artistas portugueses que mais tem contribuído para a renovação da escultura contemporânea apontando-nos variadíssimas reflexões que têm seguido de perto o seu discurso evolutivo.

Nesta exposição o artista apresenta várias esculturas de parede em ferro zincado, duas grandes esculturas de solo e um conjunto de desenhos.

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Uma das esculturas de solo é um trabalho de 2006 já apresentado em Madrid, é um bloco monolítico em ferro que está rodeado por baias que delimitam o espaço circundante num jogo de aproximações e distâncias que a contêm. A outra, realizada em 2009, parte do elemento central monolítico invertendo-o no espaço e transformando-o num contentor vazio ao qual se juntou vários elementos em espelho que o reflectem parcialmente, criando cortes na leitura do volume.

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Os desenhos, na continuação do trabalho do autor jogam tensões espaciais e correspondem a planificações das suas esculturas paralelepípedos, caixas, etc.

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As esculturas de parede são volumes que partem dos desenhos, jogando com tensões, cheios e vazios, sem perder a memória da planificação dos desenhos mas fazendo o caminho inverso em que a cor tem um papel estruturante.

A propósito da exposição “Contra a parede” que o artista realizou no transcorrido ano de 2008 na galeria madrilena Helga de Alvear e na qual apresentou novas esculturas de parede, Óscar Faria escreveu:

” (…) são obras que marcam uma nova fase do percurso do artista, no qual as fronteiras entre desenho, pintura e escultura deixam de fazer sentido, porque essas disciplinas são convocadas para serem desconstruídas através de exercícios que põem em causa qualquer estabilidade formal e conceptual. A intensidade de cada peça é dada por um constante jogo dialéctico entre as tensões que têm vindo a ser exploradas por Croft ao longo do seu percurso, com particular ênfase na última década. Termos como transparência, opacidade, forma, materialidade, linha, equilíbrio, volume, plano, peso, vazio e cor, constituem ferramentas de uma gramática singular, a qual consolida a aparição de cada objecto quer na sua individualidade, quer na sua relação com o mundo.”

 

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Realidade e Capricho é o título da exposição que apresenta a colecção de pintura flamenga e holandesa da Fundação Medeiros e Almeida. Trata-se de um conjunto de grande qualidade formado por trinta obras repartidas por quatro núcleos: Naturezas Mortas, Paisagens, Retrato e Temas Religiosos.
Podem ser apreciadas, entre outras, A Eucaristia de Daniel Seghers (1645-48); A paragem de Jan Brueghel, o Velho, (1605); uma série notável de oito paisagens de Jan Van Goyen produzidas entre 1623 e 1652; Retrato de Rembrandt da oficina do pintor holandês (1660); Retrato de D. Catarina II de Jacob Huysmans (1664);Virgem e o Menino do atelier de Peter Paul Rubens; Ressurreição de Lázaro de Jacob Willemzs de Wet (1642).
A presente mostra constitui, sem dúvida, o pretexto ideal para entrar e descobrir os restantes tesouros desta notável casa-museu mesmo no coração de Lisboa.

 

Realidade e Capricho
A pintura Flamenga e Holandesa do Museu da Fundação Medeiros e Almeida
25 Novembro de 2008 – 25 Maio 2009

A Fundação Medeiros e Almeida tem na sua casa museu um excelente núcleo de pintura flamenga e holandesa que agora se apresenta isoladamente de forma a incidir sobre ela uma nova leitura. Procura-se nesta mostra colocar esta parcela do acervo da Fundação numa relação directa com os modelos, as origens, os motivos e os movimentos artísticos que estiveram na origem da produção de cada uma dessas obras de arte.
Para além de uma cuidada apresentação museográfica, onde os aspectos mais modernos da conservação, da iluminação e do restauro são tidos em conta, a exposição é acompanhada de uma catálogo profusamente ilustrado e acompanhado de textos científicos que contemplam as novidades respeitantes às investigações no campo da história da arte.
A pintura Flamenga e Holandesa caracteriza-se pela minúcia e detalhe de aspectos realistas tais que, muitas vezes, chegou a ser considerado o seu maior defeito. As palavras do memorialista português Francisco de Holanda, quando a compara com a pintura italiana, ilustram esta visão: “A pintura de Flandres, respondeu devagar o pintar, satisfará, senhoras, geralmente a qualquer devoto, mais que nenhuma de Itália, que nunca fará chorar uma só lágrima…Pintam na Flandres mais propriamente para enganar a vista exterior, ou coisas que vos alegram ou de que não possais dizer mal, assim como santos e profetas. O seu pintar é trapos, maçonerias, verduras de campo, sombras de árvores, e rios e fontes, a que a que chamam paisagens….” Neste pequeno trecho, Holanda resume categoricamente os vários aspectos da pintura do norte de Europa, ao mesmo tempo que inúmera os vários géneros pictóricos em que os artistas dos Países Baixos se vão especializar. Por um lado o detalhe, a reduzida escala das representações, tendente ao engano do olhar e por outro a pintura devocional, de um realismo tão cru que pode levar à comoção e ainda a especialização e capacidade de adaptação às necessidades da clientela sem causar embaraços de ordem nenhuma. Uma pintura respeitadora dos canons sociais e religiosos. Depois os vários géneros e hierarquia impostos pelo sistema académico estão também aqui delineados: a pintura de história, com as vidas de Santos e Profetas, o retrato realista, a paisagem detalhada, e finalmente as naturezas-mortas que se constituem como património ancestral desta região da Europa. Acima de tudo, o que ressalta deste texto é o respeito que os pintores flamengos sempre cultivaram pelos caprichos da sua clientela. A vontade de possuir, dentro dos limites de um microcosmo, todo o universo, consubstanciado nas câmaras de maravilhas, que as sociedades economicamente superabundantes do mar do norte no século XVII desejavam, pode assim facilmente ser transferido para dentro da pintura. Se por um lado estes caprichos sublinham a transitoriedade da vida e a sua precariedade, por outro a pintura tentava prender ou fixar esses momentos fugazes.
A colecção que Medeiros e Almeida reúne exemplares, embora não muito numerosa da pintura Flamenga e Holandesa, suficientes para servir de guião a este sector da história da arte. Desde a pintura de história com temas religiosos com uma Virgem do Leite do século XVI, o Cristo Coroado de Espinhos, uma composição de Mabuse do século XVI, e do XVII outra Virgem do Leite e santos da oficina de Rubens, um Bom Pastor e Um Cristo em casa do Fariseu de David Teniers II, passando pela pintura já de carácter leigo onde as questões fiduciárias estão evidenciadas no Cobrador de impostos ou Advogado de aldeia de Pieter Brueghel II, até ao retrato com dois bons exemplares de António Moro, um representando Margarida de Parma, a governadora dos Países Baixos, e outro que agora se identifica como sendo o de Pedro Mendéndez de Avilés. Destaca-se ainda, no conjunto de retratos, o de Catarina de Bragança pintado por Jacob Huysmans por volta de 1664. O Retrato de Rembrandt é um belo documento para o entendimento do modus operandis da oficina do grande mestre holandês. Os horizontes neerlandeses foram captados com mestria incomparável por Jan Brueghel, o Velho, dito de veludo pela suavidade da mancha do seu pincel, em paisagens que só poderão ser comparadas, já em meados do século XVII, com a pintura de Jan van Goyen estando ambos bem representados nas colecções da Medeiros e Almeida. De Brueghel existe uma bela paisagem intitulada A Paragem e de van Goyen seis pinturas com vistas da Haia e de portos holandeses. Já de finais do século XVIII é um Divertimento no gelo e um Mercado de peixe de Aert van der Neer o Jovem que termina a colecção de paisagens desta Fundação.
A Natureza morta e os floreiros funcionam com uma verdadeira colecção dentro da colecção, pela consistência com que formam um grupo. As alegorias eucarísticas de Seghers eram ornadas com profusa quantidade de flores e frutos de temática simbólica. A tulipomania, que fez eternizar várias espécies de tulipas e outras flores, serviu de base para composições que cobriram compartimentos, escaninhos e gavetas dos contadores holandeses. Estes móveis, que eram usados, muitas vezes, para guardar tesouros, tinham também funções de cabinet de curiosidades onde se custodiavam preciosidades. A raridade de bolbos de algumas espécies de tulipas justificava serem resguardadas como verdadeiros tesouros. A pintura que cobre as gavetas deste contadores, como o do Museu Medeiros e Almeida, poderia identificar as espécies que cada uma delas continha, como neste caso, os floreiros de Jan van Kessel. A colecção de naturezas mortas desta Fundação alarga-se ainda a nomes como Simon Peeterz Verelst, J. van Huysum e Jan Davidsz de Heem todos eles exímios pintores da natureza nos seus mais perfeitos detalhes onde a acção do tempo parece não ter causado nenhum dano.

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S. Jerónimo viajou para a Holanda e o Titus sentado à secretária chega a Portugal

Rembrandt van Rijn - Titus sentado à secretária, 1655

Rembrandt van Rijn - Titus sentado à secretária, 1655

Quatro anos depois de ter estado exposta em Viena, mais propriamente na Galeria Albertina, a obra S. Jerónimo, do pintor alemão Albrecht Dürer (Nuremberga, 1471-1528), voltou a ser retirada do primeiro piso do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa. Desta vez, o destino da pintura, um óleo sobre madeira de carvalho datado de 1521, foi o Museu Boijmans van Beuningen, em Roterdão, que solicitou ao MNAA o quadro de Dürer para o integrar na exposição Imagens de Erasmus.
Em contrapartida, o museu nacional propôs uma permuta e pediu “uma boa peça da colecção” pertencente à instituição holandesa, contou ao PÚBLICO o director do MNAA, Paulo Henriques. A resposta agradou sobremaneira à direcção do museu lisboeta: o Boijmans van Beuningen expedia para Lisboa o Titus sentado à secretária (1655), de Rembrandt (1606-1669), uma das obras-primas do pintor, nunca exposta em Portugal.
Atendendo à elevada importância de S. Jerónimo – é a única pintura de Dürer no país (a Fundação Gulbenkian possui alguns desenhos), está classificada como tesouro nacional e o MNAA aponta-a como uma das “dez obras de referência” do museu -, Paulo Henriques pediu ainda desenhos e gravuras de Rembrandt, o que permitiu organizar a exposição que se inaugura no dia 16, numa das salas do MNAA. O quadro Titus sentado à secretária (retrato a óleo do filho do pintor) estará acompanhado por mais oito obras: desenhos de Saskia (mulher de Rembrandt), de Titus e da mãe do pintor; e ainda duas gravuras (uma anunciação do nascimento de Jesus e uma adoração dos pastores). Esta exposição com trabalhos de Rembrandt, inédita na história do MNAA, ficará até 8 de Fevereiro, data em que encerra também Imagens de Erasmus, em Roterdão. Refira-se ainda que somente a Fundação Gulbenkian possui, na sua colecção, duas obras do pintor holandês. O Museu de Arte Antiga tem, segundo o seu director, uma gravura e desenhos cuja atribuição a Rembrandt não está confirmada.

albrecht-durer_heiliger-hieronymus_1521

Albrecht Dürer - Heiliger Hieronymus, 1521

 

Dürer painted St Jerome in Antwerp in March 1521 and presented the panel to his friend Rodrigo Fernandez d’Almada. He wrote in his diary: `I painted a Jerome carefully in oils and gave it to Rodrigo of Portugal.’ The panel was displayed in the merchant’s private chapel in Antwerp and was later taken back to Portugal. It is the only religious picture that Dürer painted in the Netherlands.

The figure of the saint is based on a drawing of an old bearded man. On the drawing, Dürer inscribed: `The man was 93 years old and yet healthy and strong in Antwerp.’ The skull in the painting, which Dürer had also sketched separately (Graphische Sammlung Albertina, Vienna), was probably the `little skull’ which he had recorded buying for two pennies several months earlier in Cologne.

In the painting, St Jerome, bearing the wrinkled features of the 93 year-old, rests his right hand against his head, in a contemplative pose. With his index finger of the other hand he lightly touches the skull, a symbol of the brevity of life. The skull is symbolically placed between the open Bible on a small lectern and the ink-well, a reminder of the saint’s role as the translator of the Bible. The aged St Jerome looks despondently out of the picture. Dürer’s painting was strongly influenced by Flemish art, particularly the work of Quentin Massys.

There is an inscription on the slip of paper sticking out of the book, monogrammed and dated 1521.

A saída temporária do S. Jerónimo foi sujeita à autorização prévia do Ministério da Cultura, tal como a lei estabelece na expedição de bens nacionais (ver caixa). Mas o seu estatuto de “peça central” do MNAA exigiu “muita ponderação”, notou Henriques. “A ponderação do empréstimo foi muito bem feita e teve em conta a altíssima qualidade da exposição do Boijmans van Beuningen”, disse, apontando ainda que o óleo se encontra em “excelentes condições”. “Não tem quaisquer problemas de conservação”, assegurou. A estas circunstâncias favoráveis acresceu o “grande empenho” da embaixada dos Países Baixos em Lisboa, que permitiu que a permuta fosse concretizada “sem encargos financeiros” para o MNAA.
O empréstimo do quadro (foi oferecido por Dürer, ainda em 1521, ao diplomata português em Antuérpia Rui Fernandes de Almada, tendo sido comprado pelo Estado em 1880) não é inédito. Mas a sua saída temporária já foi proibida, há três anos. Em 2004 esteve patente numa mostra dedicada a Dürer em Viena, na Galeria Albertina, juntamente com os quatro desenhos preparatórios de S. Jerónimo. Contudo, um ano depois, quando o Museu do Prado, em Madrid, organizou uma exposição dedicada ao artista, inédita na Península Ibérica (57 desenhos e 29 gravuras) e solicitou ao MNAA o quadro, o Estado recusou o empréstimo. “Não passou por mim”, disse Henriques, referindo que, na altura, era Dalila Rodrigues quem dirigia o museu.

fonte: Público

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A exposição «A Intuição e a Estrutura» junta pela primeira vez pintura de Vieira da Silva, incluindo seis obras inéditas dos anos 30, e do artista uruguaio Torres-García, com quem a pintora manteve uma relação de amizade durante vinte anos.«A Intuição e a Estrutura: De Torres-García a Vieira Da Silva 1929-1949» inaugura-se hoje às 19:30 no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, onde vai permanecer até 15 de Fevereiro de 2009, inserida na programação de exposições temporárias da entidade.

Comissariada por Eric Corne, a exposição – com 90 pinturas e alguns desenhos – foi organizada no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) e em co-produção com o Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM), Espanha.

Esta selecção de obras centra-se em vinte anos de trabalho de Joaquín Torres-García (1874-1949) – um dos pioneiros do construtivismo na América Latina, e principal nome da arte moderna uruguaia – e Maria Helena Vieira da Silva, e na relação de proximidade que estabeleceram ao longo desse período.

A série de seis pinturas inéditas de Vieira da Silva foi realizada no contexto da viagem que realizou à Roménia, em 1930.

De acordo com o director do Museu Berardo, Jean-François Chougnet, «há muitas obras de Vieira da Silva ainda pouco conhecidas em Portugal».

Chougnet explicou que a ligação entre ambos os artistas surgiu na sequência de um artigo de Torres-Garcia muito elogioso do trabalho da pintora portuguesa, que, na época, estava a viver no Brasil, fugida de Paris devido à II Guerra Mundial.

«Nessa altura estava bastante triste, e o artigo deu-lhe um novo ânimo para continuar a criar», disse à Lusa.

O contacto entre ambos aconteceu quando o poeta Carmelo Arden Quin se deslocou ao Rio de Janeiro para criar uma revista com outros escritores. Visitou o atelier de Veira da Silva e o marido, Arpad Szenes, e trocou com a pintora impressões sobre Torres-García, cujo trabalho ambos admiravam.

Arden Quin tirou fotografias das obras de Vieira da Silva e enviou-as ao artista uruguaio acompanhadas de uma carta da pintora, onde expressava a sua grande admiração por ele.

Torres-García respondeu-lhe num artigo, na revista Alfar, onde principalmente escreve sobre o quadro «Le Désastre ou la Guerre» (1942) e, no seguimento desta publicação, ambos se manterão em contacto até à morte do artista, em 1949.

Vieira da Silva escreveu a Torres-García em 1943, confessando-lhe: «Mas a pintura é tão terrível, eu trabalho com muita dificuldade, muito lentamente, com muita frequência me sinto desencorajada. Então, releio o seu artigo às escondidas e a coragem regressa.»

«Torres García – Uma torre branca, negra, cinzenta, azul-cobalto, vermelho terra, escadas e relógios, um mundo severo e alegre; um mundo onde eu entrei em 1929 e onde ainda hoje continuo a morar», escreveu também um dia sobre o artista, mestre e amigo.

Quando sair do Museu Berardo, a exposição «A Intuição e a Estrutura: De Torres-García a Vieira Da Silva 1929-1949» irá estar patente no Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM), em Espanha, de 25 de Fevereiro a 03 de Maio de 2009.

Diário Digital / Lusa

Através da selecção de cerca de 300 obras e da sua exposição em diversas temáticas como o retrato, a arquitectura, a natureza e os interiores, pretende-se mostrar ao público a fotografia como um meio fascinante e repleto de múltiplas facetas e enfatizar a diversidade e profundidade do pensamento artístico no campo da fotografia.
Na exposição podem ser visitadas obras de artistas nacionais e internacionais dos quais se destacam: Andreas Gursky, Candida Höfer, Cindy Sherman, Daniel Blaufuks, Gérard Castello Lopes, Helena Almeida, Hiroshi Sugimoto, Jeff Wall, Jorge Molder, Paulo Nozolino, Thomas Ruff, Thomas Struth e Zhang Huan.

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  1. 24 de Julho, 2009

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