Adoração dos Pastores

Mesmo quando representa esta cena da história sagrada, vezes sem conta tratada pelos artistas ao longo dos tempos, Rembrandt mantém uma forte coerência consigo próprio e com a sua forma de encarar os temas sagrados.
Repare-se como ele humaniza o tema, ao fazer sobressair a humildade desta família, tratada como igual a tantas outras. A presença de José tem muito mais destaque do que é habitual neste tipo de representação, já que é ele que, através do seu gesto, apresenta a família, enquanto Maria parece aninhar no regaço o pequeno Ser indefeso, envolto em panos, que aqui nada aparenta de divino, antes se parecendo com qualquer outra criança recém-nascida. É o interesse e admiração manifestados pelas expressões do grupo dos pastores atraídos até este modesto local, que denunciam a singularidade da cena.

 

Rembrandt - Adoração dos pastores, c. 1654

Rembrandt - Adoração dos pastores, c. 1654

 

Este minúsculo desenho faz parte de um conjunto de três desenhos e cinco gravuras que acompanham Titus, numa sala exclusivamente dedicada a Rembrandt. No MNAA.

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